terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo!


Fim de ano e momento pra balanço. Pra pensar e repensar as coisas que fizemos, pelas quais lutamos; os erros e êxitos alcançados.

Algumas vezes nos apegamos demais a certas idéias, de tal forma que, mesmo que o resultado pareça difícil de ser alcançado, insistimos, apesar de tudo.

Persistência é sem dúvida uma virtude. Contudo, quando as probabilidades de êxito estão quase todas contra nós; o melhor mesmo é repensar as nossas metas e atitudes, e talvez mudar os rumos de nossas vidas. Canalizar nossas energias para outros caminhos. Afinal, ninguém deseja ficar dando “soco em ponta de faça” o tempo todo.

Dizem que se a gente continua sempre fazendo as mesmas coisas, provavelmente os resultados obtidos serão os mesmos.

Nunca é tarde pra acertar e enfrentar novos desafios. Que venha então um Ano Novo melhor pra todos nós!

sábado, 20 de dezembro de 2008

Papai Noel existe?


Tenho lido opiniões as mais diversas sobre a fábula de Papai Noel. Perguntei a algumas pessoas, de idades diferentes, crenças e formação pessoal o seguinte:

A crença em Papai Noel é saudável, negativa, ou não tem qualquer relevância na mente e psicologia das crianças?

Muitas destas pessoas disseram que Papai Noel como todo o Natal não passam de puro comércio.
Há quem alegue motivos religiosos para não participar dessas comemorações, com o argumento de que se trata de uma festa pagã. Há aqueles também que fazem do Natal pura troca de presentes e bebedeira, sem nenhum outro tipo de motivação.

Outros vêm na ocasião uma boa oportunidade de reunir toda a família em volta da mesa, mesmo que apenas por um dia.

Entre todas as respostas que obtive, destaquei uma de uma senhora já vovó que dizia:

“Querido Carlos!
Esta é uma pergunta que eu não sei responder! Posso dar minha opinião:

Várias histórias contadas às crianças pequenas constituem ensinamentos sobre a vida que elas irão enfrentar. É importante desenvolver a imaginação dos pequeninos pois ocorre uma mobilização do sistema pensante.
A "fantasia" tem papel importante neste conhecimento do mundo real. Por isto as crianças gostam tanto de brincar, imaginando que um objeto é um avião, que uma bonequinha é uma filhinha, etc.

Do ponto de vista cristão (meu, em particular), creio que não se deve atrelar a crença em Papai Noel ao nascimento de Jesus. Para as crianças cristãs, é lógico, a história deve ser contada de maneira verdadeira, sem usar fantasias. E, o Papai Noel, mais como uma brincadeira, uma fantasia que deve ser desvendada logo que a criança atingir certa idade. Mas... cá no fundo mesmo... não dá pra engolir o Papai Noel! Mas que pergunta jóia, meu querido Carlos! Um grande abraço!”

Um dia eu também acreditei em Papai Noel e não me arrependo disso. Mesmo nos Natais que não ganhei presentes, ou não foi possível comprar o que eu desejava, o resultado final sempre foi alegria no convívio com a família.

Respeitando todas as opiniões e crenças religiosas; o sentido de “acreditar” em Papai Noel vai bem além do significado literal da palavra. Se emprestarmos a ela o significado de se permitir sonhar, somar esperanças, aguçar e desenvolver nossa imaginação, como diz a vovó acima, então não importa que seja apenas por um dia.
Cada minuto é valioso e tempo precioso para ser Sempre Criança e jamais deixar de ser feliz.
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domingo, 14 de dezembro de 2008

Sonho de Uma Noite de Natal


Era dia de natal e em meio a tantas outras casas, uma se destacava por sua pobreza e simplicidade. Todo movimento das ruas havia cessado, pois se aproximava a meia-noite do natal...

Na mais humilde das casas havia uma criança muito triste. Nada naquele lugar parecia lembrar uma verdadeira noite de natal.
Desde pequenino sonhara em ter seu próprio pônei. Natais seguidos se passaram sem que visse seu sonho realizado. Sua imensa tristeza contagiava pai e mãe, e o espírito do natal jamais existiu naquele Lar.

Deitou-se cedo naquela noite, afim de não ter a mesma decepção dos natais anteriores, e mergulhou em sono profundo.

Aquela seria uma longa noite e os acontecimentos que se seguiram mudariam todo o curso dessa nossa narração...

Um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho para saber o motivo de tanta tristeza. Contou-lhe toda sua história, e então, o anjo disse-lhe que depois dele viriam outros três anjos que o levaria em uma longa viajem, e que aguardasse por eles naquela mesma noite.

Assim, veio o primeiro anjo; tomou a criança em seus braços e a levou para rumo desconhecido.
O menino disse-lhe que se tivesse muito dinheiro, compraria seu lindo pônei e teria de volta toda sua alegria.
O anjo o levou a uma casa cheia de riquezas e espiaram pela janela. Havia uma enorme mesa posta na sala e ao seu redor, apenas mãe e filhos. O chefe da casa parecia ser pessoa muito ocupada e lá não estava para partilhar o espírito do natal. Mesmo numa mesa farta não havia alegria! Disse então ao anjo, que desejaria ter muito dinheiro e tempo para dividir com a sua família.

Veio o segundo anjo e o levou a uma casa não menos rica. Espiaram pela janela. No meio da sala havia uma enorme mesa repleta de comidas e bebidas; ao redor da mesa, apenas pai e filhos. A dona da casa repousava em leito adoecida de morte. Apesar de tantas riquezas e todo tempo do mundo, não havia também naquele Lar a alegria e o espírito do natal.

O terceiro anjo lhe fez imaginar que espiava pela janela de uma outra casa, e lá ele não viu nenhuma riqueza, nem mesa farta.
Unidos ao redor da mesa, pai, mãe e filho. Abraçavam-se, riam, festejavam a valer, e disse então o menino: "Meu sonho é ter uma família como esta”. Respondeu o anjo do Senhor: ”Olhe mais atentamente, pois aquele homem é seu pai, aquela é sua mãe, o menino entre eles é você, e esta é sua própria casa. Ao acordar deste sonho, apenas permita que ele se torne realidade”.

Os sinos batiam meia-noite e o menino acordou em alvoroço, causando espanto a seus pais. Disse: "Vamos nos unir ao redor da mesa, agradecer a Deus por tanto que nos deu e festejar a vinda do Senhor”.
Tamanha alegria causou espanto a toda vizinhança, pois não entendiam porque em casa tão humilde havia motivo para tantos festejos. Já nem lembrava mais do tão sonhado pônei quando se ouviu um ruído à porta da casa.
Ao abri-la, imaginou ainda estar sonhando; estava lá seu lindo pônei!
Talvez deixado por alguma pessoa caridosa,... Pensaram seus pais.

O menino sabia que não e em pensamento agradeceu aos anjos do Senhor, e o espírito do natal esteve com eles sempre presente.

Este menino jamais contou seu sonho a alguém. Só lhes conto esta história porque um dia eu fui esse menino...

(Eu, Carlos Lucchesi, desejo aos amigos um feliz natal e ano novo com saúde, Amor, alegrias, mesa farta e sonhos realizados. Hoje, meus sonhos são diferentes, mas continuo os tendo. Sempre com a mesma esperança e simplicidade daquele menino que jamais deixei de ser...).

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

"Dias de Chuva"



"Quando um sonho vai se perdendo,
Ou talvez seja adiado;
Depois de ter lutado,
Sofrido,
Gemido!
Depois de tê-lo amado;
Ter por tempos desejado.
Ter visto os primeiros passos
De um projeto de vida
Ver esvaindo na lida.
As lágrimas que caem nesse traço...
Marcam o tempo, o espaço,
De uma espera,
De uma vida!"

(Poema de rara sensibilidade da amiga e escritora Sylvia Senny, foto acima). http://www.sylviasenny.blogspot.com/

sábado, 6 de dezembro de 2008

Críticos dos Críticos


Outro dia, uma amiga escritora falava do seu desânimo por conta das críticas feitas a um texto seu. O Crítico em questão, não era ninguém menos do que um ilustre membro da academia de letras de Araçatuba, SP.

Na semana seguinte tudo tinha mudado, pois recebera elogios de outro literário, não menos ilustre, da mesma região.

Sem dúvida, existe a possibilidade do erro de avaliação ter partido do segundo critico. Contudo, eu diria que, na pior das hipóteses, um texto que leva alguém de credibilidade a cometer engano dessa ordem, tem um enorme mérito.

É fato que aprendemos a cada dia. E é isso que nos motiva, nos faz querer ir sempre adiante para saber sempre mais. Assim, aprender é um caminho sem chegada. Um conhecimento que não ocupa lugar, não tem limites, e gera erros e acertos.

As criticas que sofremos devem nos servir de suporte para avaliar; talvez repensar, redirecionar, contudo, jamais desanimar. Até mesmo os críticos podem errar nas suas avaliações; seja lá quem for.

Antes dos críticos e depois deles; precisamos ser críticos de nós mesmos, e saber ter senso crítico daqueles que nos criticam. “Peneirar” das criticas o consenso, o considerável e desconsiderar o questionável.

Não precisamos concordar com tudo que ouvimos e lemos por ai, como se fossem verdades absolutas; mesmo que o autor seja um nome conhecido e reconhecido.

Observe o parágrafo abaixo:

“Seja qual for à experiência que venha a você, deixe-a acontecer e depois siga em frente, descartando-se dela. Vá limpando sua mente o tempo todo; vá morrendo para o passado, de forma a permanecer no presente, no aqui-agora, como se tivesse acabado de nascer, como se fosse um bebê...”
(Osho Dang Dang Doko Dang)

Compare com o parágrafo seguinte:

“Tudo que é bom dura o tempo suficiente pra se tornar inesquecível”.
(Autor desconhecido)

A experiência nos mostra que é de boa prática ser um bom ouvinte, mas que também é sábio ser um ouvinte crítico dos outros e de nós mesmos.

sábado, 29 de novembro de 2008

A Parte Pelo Todo


Recentemente, uma amiga me mostrava a sua nova casa. O curioso foi o fato de que, apesar de toda construção me parecer ser de boa qualidade, ela insistia em apontar para dois pisos, com um leve ressalto, no canto da sala.
Deu-se ao trabalho de arrastar um enorme sofá por esse único motivo.

Bastou aquele pequeno detalhe para que considerasse todo o resto da construção de má qualidade.

Este fato me fez lembrar uma figura de linguagem muito conhecida: “metomínia”; onde se toma à parte pelo todo. Ex: Comprei duzentas cabeças de gado (a cabeça se refere ao animal como um todo).

De fato, existem pessoas que são incapazes de aceitar as falhas alheias. Exigem dos outros sempre o perfeito, o irretocável; como se fosse mera obrigação. Não lhes é suficiente 99%. Basta uma simples falha para que todo o conjunto das ações perca seu valor.
São exigentes ao extremo; a ponto de perderem a capacidade de avaliar.

Este comportamento acaba sendo transferido também para as relações pessoais.
Só agradamos se “matamos um leão” todo dia. Caso contrário; já não somos os mesmos de antes. Estamos mudados, e já não satisfazemos.

Assim, estão sempre insatisfeitas e de mau humor, pois minimizam sempre os aspectos positivos e valorizam os negativos, mesmo os mais inexpressivos.

Se tivermos que ser muito exigentes, então que comecemos por exigir de nós mesmos ponderação e bom senso.

Exigentes sem limites tornam-se, necessariamente, chatos ilimitados.

sábado, 22 de novembro de 2008

Amor

A escolha do título Coisas do Coração para o meu Blog e Site não é sem razão. Será sempre minha prioridade falar sobre o maior dos sentimentos. Tão grande, que por mais que se defina, ou se escreva sobre ele; sempre haverá muito ainda por dizer...

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domingo, 16 de novembro de 2008

Felicidade na Ponta dos Pés.




A felicidade é como o caminhar: Cada pé está sempre atrás do outro. E quando um dos pés consegue, mesmo que por alguns segundos, ficar lado a lado com o outro; logo descobre que aquele já está um passo a sua frente.




Nesta semana foi destaque na mídia o afastamento das gravações de um ator muito conhecido, especialmente pelo público das novelas. O fato deveu-se ao uso e dependência às drogas.

Na mesma semana, a caminho da banca de jornal, li uma dessas frases de pára-choque de caminhão, que dizia o seguinte: “se você acha que dinheiro não traz felicidade, me dê o seu e seja feliz”.

Não pude deixar de relacionar os dois fatos. Considerar a razão de alguém, que presumidamente teria tudo pra ser feliz: dinheiro, popularidade, galã de novela; tivesse chegado a tal limite. Se afastar do trabalho por não mais conseguir ter controle sobre si mesmo e da própria vida. Nada parecido como o que costumamos entender por felicidade, convenhamos.

Se dinheiro não é garantia de felicidade, muito menos a completa falta dele; qual é então a fórmula para se conseguir ser feliz? Se é que existe!

Tanto me perdi nestas divagações, que me descuidei e bati com a ponta do pé numa enorme pedra no meio do caminho. Inchou na mesma hora. A dor era tanta, que sequer lembrava mais da tal frase do pára-choque, ou das notícias da mídia.

Com muito custo e sacrifico finalmente cheguei em casa. A única coisa que passava pela minha cabeça era ter meu dedão do pé intacto, tal como antes. Naquele momento; a minha felicidade mais desejada.

Nos dias que se seguiram, não consegui fazer nada. Caminhar não podia. Dirigir, nem pensar! Ônibus? Sempre tem um mais apressado, que escolhe pisar justamente onde não se deve.

Com certeza alguém vai perguntar: - “Qual a relação do dedão com toda essa história?”

O fato é que eu jamais tinha me dado conta da importância da integridade do meu dedão do pé.
Aos poucos fui melhorando, e lembrei de uma frase de Saint-Exupéry, no seu conhecido clássico “O Pequeno Príncipe”, que dizia: “O essencial é invisível para o olho”.

Esquecemos de observar as coisas simples, que existem bem ali e não enxergamos, ou só valorizamos, quando já não estão lá, ou sob ameaça de não estar. Acabamos nos perdendo em grandes reflexões. É nosso hábito dar mais valor as coisas que não temos, e o que temos nos parece mera obrigação da criação.

Talvez, exista maior infelicidade em perder o que se tem, do que não conseguir o que se deseja.
Somos por natureza insatisfeitos. Queremos sempre ir além. E esse além, assim como a felicidade, parecem ter o mesmo tamanho do infinito. Não há chegada; só caminhos a serem percorridos.

Ninguém deve concluir com isso que dinheiro não traz felicidade, ou que dizer que traz seja uma meia verdade. Mesmo porque meia verdade não é mais que uma mentira completa. Apenas, não é garantia duradoura; nem os holofotes da fama. É curioso imaginar que uma celebridade passa boa parte da sua vida tentando ser conhecida, e quando consegue; coloca óculos escuros para não ser reconhecida. Deseja ficar anônima. Coisa que já era antes.

Pode haver felicidade nas coisas simples ao nosso redor, e ninguém precisa ganhar muito dinheiro, ou virar celebridade pra descobrir isso. Basta repensar as palavras de Saint-Exupéry; ficar atento aos detalhes. Aos visíveis, ou não.

Continuo olhando para o infinito, mas ao olhar para baixo, e ver meu dedão finalmente curado, percebo que pode haver também felicidade na ponta dos pés...

sábado, 15 de novembro de 2008

Verdade, Mentira e Sinceridade.


Sempre ouvi dizer que “quem fala a verdade não merece castigo”, e que a verdade deveria ser dita em qualquer situação.


Lembrei do meu tio Gustavo, com câncer diagnosticado como terminal. Minha tia não lhe passava esta informação, com o objetivo de lhe dar um pouco de alegria nos seus últimos dias de vida.

Será que ela agiu correto? Devemos mentir pra não ferir?
Existe diferença entre mentir e omitir? Pode haver sinceridade na mentira?

Embora pareçam relacionadas; mentir e omitir têm diferenças significativas: Mentir é distorcer os fatos; alterar deliberadamente os acontecimentos. Omitir e não relatar. (Há quem diga que omitir é a desculpa de todo mentiroso).

O fato é que nem toda verdade é construtiva, assim como nem toda sinceridade gera condições positivas. Como administrar isso? Depende do bom senso de cada um de nós.

Imagine uma mulher, que após ter cortado e pintado os cabelos, alguém lhe dissesse que ficou ridículo, em nome da sua sinceridade.

São questões polêmicas, até mesmo porque, hoje em dia, o conceito de verdade vem sempre acompanhado pelo relativismo. Ou seja, o que é verdade pra um pode não ser pra outro. É o caso das diversas doutrinas religiosas, onde cada um julga ter o monopólio da verdade.

Neste caso há a sinceridade, porque se acredita naquilo que se está proferindo; mesmo que esta verdade seja relativa para outras pessoas.

Há sim casos onde a mentira impera. Pessoas que fazem da distorção dos fatos, um hábito no seu dia a dia.
Como a justificação de uma leva a outra; cria-se um círculo vicioso, de onde não se consegue mais sair.
O autor transforma-se em personagem e refém da história que ele mesmo intentou. A ponto de não mais ditar os caminhos da trama, mas ser coadjuvante nos fatos desencadeados.

Aí, já não é mais uma questão de conceito, ou relativismo. É uma patologia, que como tal precisa receber cuidados de profissionais especializados.

Seja como for, devemos sempre agir com bom senso e equilíbrio. Saber o que, porque, para quem, e em que momento algo deva ser dito, ou não.

Não devemos também esquecer, que o silêncio é uma arma poderosa. Algumas vezes, dizemos mais quando nos calamos.

Enfim, conviver é uma arte. Saber ouvir e se comedido com as palavras, uma sabedoria. Está ao alcance de todos, e basta apenas e tão simplesmente tentar...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Resumindo a Vida



“Tempo é dinheiro”. Quem já não ouviu esta frase?
Era a época das grandes transformações, produção em série, consumismo. As pessoas jogavam beijinhos, só pra não perder seu tempo se aproximando das outras.

Tempo em que “Vivo” era “Telefônica Celular”, e “Oi”, a gente só dizia pra desconhecidos.

Antes se economizava o tempo, agora também as palavras.

Torpedos “SMS” são um sucesso! Podemos resumir tudo numa mensagem quase codificada, mesmo que o assunto seja sentimentos:

“Blz, Tdb? Bom Fds!”

E o “MSN” nem se fala. É um verdadeiro desafio aos amantes da escrita. Pra complicar, substituem palavras por ícones e bichinhos. O que requer um verdadeiro exercício da nossa imaginação.

Outro dia, numa dessas missas de sétimo dia; ouvi, de uma senhora, o seguinte comentário:

_ “Foi um bom pai, marido e cumpridor dos seus deveres”.

Eis ai a vida resumida! E sem nenhuma criatividade, pois já ouvi a mesma frase centenas de vezes.

Todos temos a nossa história, e para cada um de nós é a mais importante de todas. Amores, desilusões, alegrias. Enfim, cada vida é um livro.

Confesso que aquela frase me preocupou consideravelmente. Será que um dia eu também vou ser resumido?

Por isso eu escrevo! Para que as palavras, de alguma forma, sejam a minha sobrevida. Para que tirem um sorriso quando lidas, uma lágrima, ou mesmo indiferença. Por elas e por causa delas, eu estarei vivendo, até mesmo renascendo e retornando a vida!

Vale a pena sonhar?



Recentemente, li a crônica “Além dos sonhos” do escritor Fernando Carrara, na qual dizia o seguinte:

“Além dos sonhos”

“No post amores impossíveis eu disse que o ser humano foi feito pra sonhar. É isso que motiva sua vida. Porém, não coloque seus sonhos em lugares altos demais onde suas mãos não poderão alcançá-los”.

Este seu parágrafo fez-me recordar o conhecido discurso de Martin Luther King em agosto de 1963.

“EU TENHO UM SONHO”

“Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”.

Há na história universal pessoas, que não só lutaram por seus grandes sonhos, como morreram por eles.

Voltando ao presente, vemos ai a eleição do primeiro presidente negro nos Estados Unidos: Barack Obama.
Filho de muçulmano e de sobrenome Hussein. Embora tenha sempre se destacado na vida escolar, sua adolescência foi conturbada.
Obama experimentou maconha e cocaína, conforme conta em sua biografia.

Com esse perfil, ninguém jamais acreditaria que um dia chegasse à presidência dos Estados Unidos. Com certeza muitos lhe disseram que estava sonhando alto demais.

Apesar disso, e contra quase todas as probabilidades, conseguiu realizar seu grande sonho.

Claro que são casos raros, que não acontecem todos os dias. Nem todos que têm seus grandes sonhos conseguem realizá-los.

Mas, por isso devemos abrir mão de sonhar além do que todos acreditam ser possível?

Há ainda muitos “Barack Obamas” por ai. E é bom que existam, pois alimentam as nossas esperanças de que vale sempre a pena, e que não importa o tamanho que eles tenham.

É sempre preciso acreditar e sonhar!

sábado, 1 de novembro de 2008

Pessoas e Diamantes

Pessoas e diamantes têm algo em comum: precisam ser lapidadas, às vezes até cortadas pra mostrar toda sua beleza.


Os diamantes sempre fascinaram as pessoas. Muitos perderam a própria vida em busca da gema preciosa.



Seu valor está na raridade e beleza. Contudo, para que mostre todo seu brilho, precisa ser lapidado, até que adquira a forma na qual nos acostumamos vê-los em jóias.

No processo de lapidação um diamante perde boa parte do seu peso. É cortado e talhado em facetas para que finalmente apresente todo esplendor de sua forma, e torne-se um brilhante.

De uma certa forma, isso acontece como todos nós.
Algumas vezes, no nosso dia a dia, somos obrigados a enfrentar situações que põe a prova os nossos limites. Muitas deixam marcas profundas; arrancam pedaços, e ficam guardadas na mente e em nossos corações.

Observe as cachoeiras. Onde estaria a sua canção, graça e vida, não fosse as pedras que traçam a tragetória e queda das suas águas, colocando beleza em seu caminho?

Se tivermos a consciência de que tudo isso faz parte de um processo de lapidação e amadurecimento de cada pessoa; estaremos mais bem preparados pra lidar com tais situações e nossos conflitos de todo dia.

Alguém poderia argumentar: _ “Quando estou no meu limite; brigo, bato pé, faço pirraça, atiro copos na parede, e ninguém vai me mudar!”.

Com certeza que não!

Nenhuma mudança verdadeira acontece de fora pra dentro.
Na verdade, ninguém precisa de fato mudar. Basta conhecer a si mesmo, entender suas reações, saber os seus próprios limites e respeitar os alheios.

A consciência de tudo isso, basta para que possamos ser um pouco “diamantes”; perceber a razão das "pedras", e ser a cada dia um ser humano ainda melhor.


Veja no vídeo um exemplo de como é possivel Reconsiderar e Mudar
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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Olimpíada da Vida

No mundo Capitalista em que vivemos, a sociedade se depara com o que podemos considerar “Capitalismo Selvagem”, onde o que predomina é o incentivo à competição na busca de resultados. A valorização do “Ter” em detrimento do “Ser”, e onde o valor do ser humano é medido pelas riquezas que acumula.

Nesta luta pelo “Ter”, quase tudo é permitido. Os fins justificam os meios, e o prazer e a satisfação pessoal, são vistos como algo que podemos comprar em um balcão de loja de um Shopping Center qualquer.

Este tipo de prazer dura tão pouco quanto uma corrida dos cem metros rasos em uma olimpíada. Logo volta a insatisfação, que gera nova busca, e mais competição.
A velocidade dos avanços tecnológicos contribui, decisivamente para isso, pois o que é novo hoje, torna-se ultrapassado na semana seguinte.

Tais comportamentos se refletem em todos os seguimentos sociais: político, cultural, social, educacional, familiar e pessoal. Vale tudo para se chegar ao “podium”.

Talvez estejamos tão longe de encontrar a solução para estes problemas, quanto à distância que separa a largada e chegada de uma maratona. Todavia, só o fato de refletirmos sobre estes assuntos, abrem as portas para encontrarmos novos caminhos.

No “podium” da vida, mais importante do que a cor da medalha que se coloca sobre o peito, são as “cores” dos sentimentos que temos dentro dele!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Amor em tubo de ensaio


Algumas vezes, nos finais de semana, eu, meus amigos Ítalo, Vitor e Ivan, nos reunimos pra falar de assuntos variados.
Talvez devêssemos estar discutindo futebol, ou bebendo cerveja no bar da esquina; como todo mundo normalmente faz por ai. Mas a impressão que tenho é que somos todos "Ets". E que um dia destes, um disco voador vai voltar pra nos resgatar.

Tomara que tenha lugar pra nós quatro!

Brincadeiras à parte; todos os três são pessoas extremamente inteligentes, bem informadas, e sempre aprendemos um com o outro.

Coisa de duas semanas passadas fizemos um destes encontros, ao qual Ítalo costuma chamar de "mesa redonda" (se bem que a mesa na qual nos reunimos é quadrada...), bom, isso não vem ao caso.

Invariavelmente, descambamos para Ciências, Teologia, Filosofia, ou Teoria da Evolução (ainda continuo achando que é mais fácil falar de futebol)
Bem, como a tendência dos irmãos Vitor e Ítalo é sempre pela busca da prova científica e da lógica; coloquei o seguinte pensamento para reflexão:

- Se eu não a amasse, a detestaria.

Ítalo e Vitor não viram muita lógica na frase. Entenderam como contraditória.

Têm razão! É contraditória porque contraditório e ilógico é o Amor.
É possível que se ame alguém e se sinta repulsa pelo seu comportamento e atitudes.
O ódio parte não elimina o Todo, mas o Todo (Amor), pode desconsiderar a parte.

Chegamos mesmo a procurar o significado do vocábulo num dicionário; que o descrevia como "reação química". Descrição merecida pra quem precisa recorrer ao dicionário pra saber o que é Amor!

Podemos até reproduzir num tubo de ensaio os elementos químicos, que agem e reagem no momento de um alto estado emocional. Contudo, o resultado não vai ser o sentimento em questão como entendo. E entendo como algo além da pura matéria; num nível consciente/inconsciente. Sabemos que existe, mas não sabemos muito bem como explicar.

A reação química não é a causa. É consequência. Não gera o sentimento. Este produz a reação química porque a precede.

É bom que não se entenda o Amor como "paixonete", "ficar", "dar um rolé", "uma saidinha", ou uns beijinhos.
Isso nem arranha seu verdadeiro significado.

Só entende mesmo quem já o viveu, pois está além do que seja possível reproduzir num tubo de ensaio, ou que palavras possam expressar.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Em Cima do Muro

Não escolho minhas amizades com base em qualquer tipo de pré-conceito: político, raça, crença religiosa. Seja lá qual for.

Claro que é uma tendência natural que tenhamos ao nosso redor pessoas com afinidades e idéias parecidas. Mas isso é uma seleção natural, e quando deixa de ser para ser imposta; vai de encontro ao princípio da liberdade individual.

Meu amigo Gabriel Ribeiro é uma excelente pessoa. Pastor titular de igreja evangélica.
Certa vez, eu passava em frente a sua sede; quando o avistei, e parei para cumprimentá-lo.

Trocamos algumas idéias, e em seguida ele me questionou o porque de eu não participar da sua igreja.

Eu estava com um livro nas mãos e disse-lhe o seguinte:

- Imagine que eu colocasse este livro do outro lado da rua. Talvez pudesse ler o título, mas jamais poderia ler e entender o seu conteúdo. Contudo, eu poderia observar tudo que agora está acontecendo a minha volta.

Imagine agora que eu faça justamente o oposto: que coloque o livro colado aos meus olhos. Talvez não lesse sequer o titulo pela proximidade. Muito menos veria os acontecimentos ao meu redor. A minha visão estaria completamente obstruída.

Imagine ainda que eu decidisse por uma terceira opção: que colocasse o livro a distância do comprimento do meu braço. Conseguiria ler o titulo, entender seu conteúdo, e perceber tudo que acontecesse nesse momento.

Concluí: Acredito que esta deve ser a posição correta em tudo na vida. A medida certa; o equilíbrio.

Assim, faz melhor quem coloca o livro a distância dos seus braços, ou mesmo do outro lado da rua, do que aquele, que com ele, ou por causa dele; nada mais é capaz de enxergar.


Gabriel deu um sorriso discreto, fez uma pausa, me olhou e disse:

"- Eu acho que você ta é em cima do muro!"

Retribuí com o mesmo sorriso e respondi:

- Talvez, mas daqui do muro, de onde você diz que estou posso ver todos os lados, enquanto você, em um deles; só consegue ver o seu...

Passados dez anos; Gabriel continua Pastor, e eu no "muro", onde ele me colocou...