domingo, 11 de outubro de 2009

Reinventar o Amor


Quero você menina,
Como ondas que se dobram sobre a areia.

Quero você nas encostas sobre as pedras,
No meio dia de uma avenida,
Ou em qualquer tempo de uma rua deserta.

Quero você num intenso banho de chuva;
Pra poder tocar, suavemente, cada centímetro das suas curvas.

Quero seu corpo descendo no espaço,
Em sentido reto,
E direto pros meus braços.

Quero a sua fúria,
A sede dos desertos,
O horizonte de um oásis,
No seu corpo descoberto.

Quero também a visão suave dos seus dedos,
Nesse seu jeito que só você sabe tocar.

Quero a certeza de poder te esperar;
Enquanto espero, escrevo;
Tentando descrever você em minhas linhas,
Aquela que já nasceu a mais linda das poesias.

Quero você das formas que já até imaginou,
Quero tudo isso e muito mais:
Quero ser capaz de com você reinventar o Amor...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Futebol Pra Meninas


Domingo, fim de tarde,
Vai começar a partida;
As meninas se posicionam em campo,
Exuberantemente lindas.

A loira de olhos azuis,
Alinha a esquerda na faixa que divide o gramado,
Enquanto que a ponta direita ocupa o espaço vazio,
Pelo outro lado.

No meio do campo, a morena,
A camisa 10;
Brinca com a bola,
E com graça e beleza,
Coloca sob seus pés.

Finalmente, apita o juiz;
- “Nossa, quantas gatas!”
Um torcedor mais afoito, diz.

Com um só toque de primeira,
Numa jogada perfeita,
No primeiro minuto do jogo,
Deixa cara a cara com o gol
A ponta direita.

Hesita, ajeita os cabelos,
Levanta a meia até a altura dos joelhos;
Prende a bola, não solta;
Vem a adversária e faz a falta.

Rola no chão com sensualidade,
Cai sobre a bola com tanto encanto,
Que toda torcida desejou ser bola dentro de campo.

Vem à camisa 10,
De forma decidida.
_ “Deixa essa comigo mulata, que sou boa na batida!”.

Tomou distância da bola,
Correu em sua direção,
Feito passes mágicos de dança,
Numa linda canção.

Viajou pelo espaço,
Em trajetória incerta,
Voa a “goleira”,
E com a ponta dos dedos,
Desvia da reta.

Linha de fundo,
Determina o juiz,
A loira da esquerda corre pro canto,
“- É minha vez, ela diz!”

A bola é lançada pro alto,
Desce na direção da atleta,
Sobe a camisa 10,
E suas pernas reluzentes
Ousam um vôo livre em bicicleta...
É gooooooooooool.

A torcida comemorou com tudo que tinha,
Não deixou nada pra depois,
Aquele gol que foi único,
De quem única sempre foi.


Logo que escureceu,
O Juiz decidiu terminar a partida,
Tinham todas que voltar lá para o céu,
Pra brilhar com as estrelas,
E iluminar as nossas vidas...

* Há poesia em tudo, mas nem tudo que é poético está nos olhos de todos...

domingo, 2 de agosto de 2009

Pequenos Gestos

... Um menino, no se caminho pra escola de todos os dias, notou que na beira da estrada, em meio a muitas outras roseiras havia uma que parecia não florescer. Deu a si mesmo a tarefa de jogar um pouco de água naquele pé, toda vez que por ali passasse.

Fez isso a cada dia, meses seguidos, sem ver nenhum resultado. Num determinado dia, lá vinha ele de novo com seu pote de água nas mãos na alegria de realizar e sua tarefa, e já não foi mais possível...
A roseira sem rosa havia morrido, sem que jamais houvesse florido dela uma rosa sequer.

De início, ficou chateado o nosso menino. Mas entendeu que seu pequeno gesto fez toda diferença. A roseira não havia florido, mas nascera dentro dele uma alegria inexplicável de te sido capaz de se importar. As cores e perfume da rosa que não floriu estavavam agora dentro do seu peito...

sábado, 25 de julho de 2009

Diálogos Globalizados

Existe um antigo ditado bastante conhecido que diz: “tempo é dinheiro”.

É um bom argumento quando se trata de negócios, mas há de se ter cuidado na sua aplicação na nossa vida pessoal; na lida com os amigos.
Nunca entendi, por exemplo, como existem pessoas que conseguem falar com várias outras, ao mesmo tempo sobre assuntos diversos.

Estou me referindo aos diálogos simultâneos que ocorrem, via MSN, ou em outras ferramentas de comunicação semelhantes aqui na net.

Imagine que você saia de casa e encontre velhos amigos num mesmo lugar e hora. Sendo eles estranhos um ao outro, certamente, o mais adequado seria apresentá-los para um bate papo em comum; onde o assunto seria, obrigatoriamente, o mesmo entre todos.

Agora imagine a mesma situação nos diálogos virtuais. Muitos conseguem a proeza de falar com várias pessoas, ao mesmo tempo no MSN, ou em mecanismos de "Chat" semelhantes; mesmo tratando de assuntos diversos e os mais variados.

Enquanto um amigo fala da sua alegria por um fato qualquer, o outro desabafa a sua tristeza. O resultado não poderia ser outro: acaba-se passando pelo constrangimento da troca de conversas. Dizendo a um o que seria direcionado a outra pessoal.

Esse tipo de “atenção global”, na verdade e completamente impessoal. Eu diria mais: é um desrespeito com cada pessoa envolvida nos diálogos. É uma atenção percentual, limitada, desrespeitosa, quando se trata de verdadeiros amigos.

Já encontrei pessoas eufóricas por serem capazes de digitar com oito outras ao mesmo tempo. Digitar, talvez, conversar, jamais.
Um diálogo de verdade, pressupõe atenção completa. E nada mais desrespeitoso do que dividir atenção, ainda mais sobre assuntos diferentes.

Quando se conversa com várias pessoas ao mesmo tempo, na verdade, não se dá à atenção devida a nenhuma delas. Se não fazemos isso no nosso dia a dia; não vejo porque fazer diferente nos diálogos ditos “virtuais”.

De fato, ninguém pode dar atenção integral, a quem quer que seja, 24 horas por dia; mas que seja integral na fração possível que puder...

sábado, 2 de maio de 2009

De volta a Idade Média

Lembro de quando era criança me deparar com despachos nas encruzilhadas. Era sempre uma visão que me assustava bastante. Potes de barro, fitas pretas e vermelhas, velas, farofa, cachaça, e uma infinidade de outros aparatos.

Esse tempo passou, e achei que tudo isso era coisa do passado.

Hoje, abrindo o jornal “Extra” da Editora “Globo”; vejo a mesma cena novamente.

Na coluna “Esoterismo” do referido jornal, o pai de santo Walter D’oxaguiã dá a seguinte receita para afastar feitiços:

“Para afastar feitiços e perseguição.

Na porta de sua casa ou no portão, ponha os nomes dos inimigos escritos numa folha de comigo-ninguém-pode.
Cubra com terra de formigueiro, terra de estrada, enxofre, pó de folhas urtiga e torre no forno.
Soque para fazer o pó e faça uma cruz com pólvora em cima de tudo, com cuidado ponha fogo.
Peça a Exu que toda feitiçaria, maldição e praga sejam afastadas do seu caminho e de sua casa.
Despache a folha numa encruzilhada de defume com incenso de igreja, alfazema, benjoim, estora que é erva doce. Realize esse trabalho vestindo roupas brancas, de preferência”.

O direito de expressão é garantido a todos pela nossa constituição. O que me espanta é o fato de uma editora com a reputação da “Globo” colocar tal coisa como matéria de jornal.

sábado, 18 de abril de 2009

Na Dificuldade, Sobrevivem os Fortes.

Esta semana recebi um vídeo do amigo e professor Clovis Campelo da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro. Trata das pessoas, que apesar das dificuldades, encontram forças pra continuar lutando pela vida.

Ao abri o jornal “Extra” de hoje, li um texto do escritor Paulo Coelho, sobre o mesmo assunto, e achei que deveria postar os dois aqui:

“Sobre a morte”
Paulo Coelho

“Em meados de 1970, quando estava prestes a completar seu doutorado em física, o cientista Stephen Hawking, já então portador de uma doença que ia paralisando seus movimentos, escutou um médico dizer que tinha apenas dois anos de vida.

“Não vou ficar desesperado com isso. Vou aproveitar o tempo que me resta para tentar entender o Universo, porque não vou mais precisar pensar em coisas como aposentadoria e contas a pagar”, resolveu.

Como a doença progredia rapidamente, foi obrigado a criar fórmulas simples para explicar, o que antes, tudo aquilo que passava pela sua cabeça.

Dois anos e meio se passaram, dez anos se passaram, 30 anos passaram. Stephen Hawking driblou a doença, continuou vivo e foi responsável por uma nova visão da física moderna.

No decorrer dos anos, descobriu que a doença, em vez de levá-lo à invalidez, forçou-o a descobrir uma nova maneira de raciocínio”.

Acredito que o vídeo do amigo Clóvis Campelo e o texto do escritor Paulo Coelho acima se completam.
Para algumas pessoas, pensar na morte parece ser a solução. Para outras, um motivo pra continuar lutando pela vida.

video

sábado, 11 de abril de 2009

Um Gato Bilíngue


... Excepcional figura, “Toninho faz tudo”; era assim que todo mundo o costumava definir.
Não havia nada que não soubesse fazer. Como costumam dizer por ai; era “pau pra toda obra”.

A vizinhança sentia-se segura com “Toninho” por perto. A torneira enguiçou, o chuveiro queimou, um jeitinho no carro que não pega? Nada parecia ser problema sem solução para o nosso amigo de “mil e uma utilidades”.

Até ai tudo bem, só não esperava presenciar os acontecimentos daquele dia no centro da cidade:

Edifício Avenida Central no coração do Rio de Janeiro. Enquanto procurava uma peça para o meu computador, li um anúncio bem grande na porta de uma das lojas:

“Hoje, palestra sobre técnicas de marketing. Participe!”

Como tinha toda a manhã livre, decidi entrar e aprender um pouco mais.

Meu espanto foi grande, quando ninguém menos que o meu velho conhecido “faz tudo” entrou para palestrar. Todo “engravatado” e roupa alinhada. Nada parecido com o mesmo “Toninho”, que eu tinha visto outro dia engraxado, debaixo de um carro. Falou com tanta clareza e autoridade no assunto, que ao final todos aplaudiram de pé.

Não podia deixar de ir cumprimentá-lo e saber dele a explicação para aquele episódio surpreendente. E ele então me contou a seguinte estória:

- “Certa ocasião, um gato perseguia um rato. Vendo seu fim próximo, o rato tratou de se enfiar no primeiro buraco que encontrou, até que o gato desistisse e pudesse sair.

O gato continuava do lado de fora com seus miados, aguardando a sua presa. Minutos depois, em lugar dos miados, latidos, e o rato então achou que algum cachorro havia afugentado o gato. Considerou então que já podia sair em segurança.

Bastou colocar a cabeça pra fora do buraco e o gato o pegou. Vendo o desespero do rato o gato explicou: - “Quem mais de uma língua já sabia, não fica sem o prato do dia!”.

Assim era “Toninho faz tudo”: um cidadão de “muitas línguas”.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Morangos de Todo Dia


Cresci ouvindo meu pai dizer que trabalhava duro pensando no dia da aposentadoria. Que quando chegasse esse dia, finalmente poderia descansar e ser mais feliz.

Sempre que me dizia isto, eu lembrava de uma história bem antiga:

Um homem, perseguido por um urso corria em disparada, até que chegou a beira de um abismo. Se ficasse, seria devorado pelo urso faminto.

Se pulasse, havia uma boa chance de conseguir se salvar.
Pulou!

Conseguiu se agarrar em alguns galhos na encosta do abismo e se pendurar. Contudo, não suportaria ficar assim muito tempo, pois já lhe faltavam as forças nos braços.

Olhou para baixo onde deveria cair, e havia uma onça com dentes afiados a sua espera.

Desviou então sua atenção para seu lado direito, onde viu um pequeno morango num pé que ali teimava em nascer.

Já havia comido muitos morangos na sua vida, mas aquele lhe pareceu especial, pois talvez fosse o seu último.

Voltando ao meu pai, creio que ele jamais percebeu como é importante ser feliz no presente, e não ficar adiando a felicidade. Pequenos detalhes, como aquele morango podem ter todo o sabor da diferença.

Ele sei foi aos 61 anos de idade, alguns meses antes de poder receber seu primeiro salário da aposentadoria.

Temos a mania de deixar pra sermos felizes depois do carro zero, da reforma da casa, da Tv digital; e acabamos por esquecer o dia de hoje.
Quanto ao personagem da nossa história?
Dizem que por puro milagre escapou, e conseguiu a sua segunda chance...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Uma Foto Amarelada na Parede



... Quando entrei naquela casa; uma velha foto amarelada na parede foi à primeira coisa que chamou minha atenção.
“Seu Geraldinho Relojoeiro” , como é conhecido na pequena cidade mineira de Carvalhos, logo notou a minha curiosidade, e apressou-se em contar-me a história daquela velha foto:

No dia 29 de setembro de 1894, exatamente há 115 anos passados, nascia no interior de Minas Gerais o menino Antonio Miguel.
Até os seus doze anos de idade, levou vida dura na lida com as coisas do campo.
Tinha pés descalços sobre aquele solo, mas sonhos na mente, que voavam alto em outras direções.

Dois meses frequentando a escola e já conseguia ler, escrever e contar. Considerou então, que era o suficiente pra sair de casa e conquistar o mundo.

“Aqui eu não fico!”, repetia ele sempre.

Trouxinha nas costas e pés na estrada caminhou a procura dos seus sonhos.
Durante seis longos anos, trabalhou em lugares diferentes, até finalmente se fixar na cidade mineira de Caxambu.

Seu esforço e coragem de trabalho foram logo reconhecidos, e em pouco tempo; aos 22 anos de idade, casava-se com a jovem Adília de 19 anos; sobrinha de um dos homens mais poderosos e respeitados da região.

Anos mais tarde, tornava-se dono do Hotel – Cassino Bragança; um marco histórico naquela cidade.

Naqueles anos, o jogo era uma atividade econômica como outra qualquer, que trazia os turistas e os sonhos das pessoas pelo ganho mágico e riqueza fácil da noite para o dia.

Antonio Miguel e Dona Adília tiveram nove filhos. Os negócios iam bem, a ponto de inaugurarem uma filial do hotel, com o mesmo nome, na capital do Rio de Janeiro.

Linhas de ônibus, propriedades na capital paulista somaram-se ao império, que então se construía.

Com o passar dos anos; o mesmo jogo, que fora alicerce daquela fortuna; tornou-se desmanche da mesma.
Dividas se acumulavam, até que só restou a sede do hotel Bragança em Caxambu.

Antonio Miguel morreu em 1965, aos 71 anos de idade; deixando nas mãos do filho caçula a tarefa de reerguer e dar continuidade às atividades do histórico hotel Bragança.

“Seu Antonio” ("Toninho"), filho caçula de Antonio Miguel, hoje com 78 anos de idade, teve 14 filhos, e estes tantos outros. Seguiam-se as gerações com seus sucessos e fracassos, alegrias e tristezas, amores e desilusões; como acontece todo dia na vida de cada um de nós.

Como fez com aquela velha foto, aos poucos o tempo apaga os rastros das pegadas que deixamos no passado.
Gerações se sucedem, criando novas pegadas sobre aquelas que um dia foram nossas.

Sopram os ventos das novas gerações, e a não ser por um raro fato histórico, acabamos todos nivelados na linha do horizonte do esquecimento.

Deixando as considerações religiosas à parte; tudo isso parece conduzir para um quadro desolador. Questionar se vale a pena tantas lutas e sacrifícios.

Cada um tem sua resposta. Cada resposta aponta para um caminho.

O mais certo é que daqui a duas, ou três gerações estejamos todos esquecidos. A não ser por algum improvável estudo genealógico, que acaso alguém se interesse por fazer.

Nascemos da mesma forma, com “adereços” diferentes. Morremos igualmente com os mesmos “adereços”, ou não.

Importa o que somos e fazemos em nosso, mesmo curto, espaço presente de tempo.
Há pessoas que duram 100 anos e vivem como se nunca tivessem nascido.

Do que vale, mesmo a mais linda das rosas, que floresce no caminho, se por ali ninguém passa pra sentir o seu perfume, e fazer brilhar os olhos das pessoas por sua beleza?

Toda beleza e perfume só têm função se percebidas; assim como só se escreve um livro para que um dia possa ser lido.

Pouco teria servido a existência da rosa, se pouco tempo depois cai ao chão de volta ao solo que antes foi.

Seu maior sentido existe enquanto rosa, como nós enquanto vida.

Se “exalamos o nosso perfume”, e colocamos brilho nos olhos alheios, cumprimos bem a nossa parte.

Pode parecer pequena, mas torna-se grande, quando somada a tantas outras.

O tempo não para!
Quem deixou de fazer pra ficar se lastimando pela vida; perdeu a chance de somar e existir.

Talvez, numa outra geração alguém conte a nossa história, como se fossemos parte de um livro; tornando possível saltar de uma página, ou uma foto amarelada na parede e de alguma forma retomar a vida...


Carvalhos, 23 de fevereiro de 2009; segunda - feira de carnaval.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Caminhos da Felicidade

Photobucket
A felicidade é como o caminhar: cada um dos pés está sempre atrás do outro. E quando um deles consegue, mesmo que só por alguns segundos, ficar lado a lado com o outro; logo percebe que aquele já está um passo a sua frente.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Atendimento ao Consumidor

A Partir de 31 de Julho de 2008 entrou em vigor o decreto lei nº 6.523 que regulamenta os direitos básicos do consumidor de obter informação adequada e clara sobre os serviços que contratar e de manter-se protegido contra práticas abusivas ou ilegais impostas no fornecimento desses serviços.

Apesar da lei em vigor, a qualidade pouco mudou. A lei prevê que o cliente/usuário deve falar com um atendente do Sac no prazo máximo de um minuto; o que parece estar sendo ignorado.

São casos como os da telefonia fixa e móvel, que alegam estar fazendo esforços pra se adequarem à lei e melhoria dos serviços.

A lei está em vigor, e teve prazo para adequação. Tudo que estiver em desacordo com ela, a infringe.

O consumidor tem então a opção de reclamar junto a Anatel, que teoricamente tem como função fiscalizar as empresas de telefonia fixa e móvel. Contudo, parece inócuo os seus serviços. Registra-se um protocolo, e pode-se reabrir indefinidamente, sem que chegue ao conhecimento do usuário nenhuma medida punitiva.

Assim, a Anatel presta-se ao papel de "menino de recados" das partes reclamadas; apenas repassando aos reclamantes as justificativas descabidas das empresas envolvidas.


Em tempos de crise, a Anatel é um desperdício aos cofres públicos. Foi criada como o objetivo de fiscalizar e fazer cumprir a lei. Não faz nem uma coisa, nem outra, e acabamos sendo vítimas duplamente.

domingo, 25 de janeiro de 2009

“As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”. Será?



Esta conhecida frase de Vinicius de Moraes representa parte da verdade, especialmente no mundo ocidental. Estamos condicionados a enxergar valores físicos. Mulheres de cinturas finas, seios avantajados e “bumbum” arrebitado. Ao menos, é o que prevalece num primeiro momento.


Num baile da balada da noite, a princípio, ninguém vai procurar pra conversar a gordinha de óculos de fundo de garrafa, que se sentou lá no cantinho pra descobrir a beleza do seu interior. A atração física é determinante na hora da escolha do seu par. Até mesmo no competitivo mercado de trabalho, a aparência, em alguns casos, decide quem vai garantir o seu emprego.

Tudo isso parece nos levar a generalizar a afirmação de Vinicius de Moraes sobre a importância do que está ao alcance dos olhos. Contudo, alguns aspectos parecem apontar para outros caminhos.
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Algumas vezes, mesmo num primeiro momento, nos sentimos atraídos por pessoas que nem de longe correspondem ao padrão de beleza existente. Nos perguntamos então: o que vimos naquela pessoa?

Inegavelmente, existem outros fatores, além da beleza, que nos atraem. Alguns citam interesses em comum, espírito, química, e o amor. Existe também o “cheiro”, gosto, sabor próprio que cada pessoa tem; único, que não se confunde com nenhum outro. Pode ser o jeito de sorrir, de falar, ou qualquer outro detalhe, que nem sempre conseguimos explicar.

Na verdade o que leva as pessoas a se sentirem atraídas por outras, transcende a beleza física, que existe, mas é temporária. Quando só, tem prazo de validade. Impera por uns dias, meses e pode durar anos, mas no final; o que fica mesmo e prevalece são outros valores e virtudes mais duradouros.
Quando isso acontece, aquele narizinho achatado, ou o sinal no canto do queixo, parecem revestidos de beleza e adquirem um charme especial.

Termino citando novamente Vinícius de Moraes: “As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”. Contudo, acrescento: "Que seja eterna enquanto dure"...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Sem "brasa" e sem "sardinha"


Quando alguém se propõe a tratar de religião, é bom que esteja preparado, pois certamente, irá desagradar a muitos.

Guerras centenárias ainda são travadas por motivos religiosos; caso dos conflitos atuais no Oriente Médio.



Quando trato do assunto, não é minha preocupação agradar, ou desagradar quem quer que seja. De “puxar brasa pra sardinha”. O que pressupõe se ter uma sardinha; coisa que confesso não ter. Apenas colocar meu ponto de vista sobre tais assuntos, sempre respeitando os alheios. Mesmo porque, a liberdade religiosa e de expressão são direitos assegurados na nossa constituição.

Nos dias de hoje, causa espanto o número exagerado de religiões, que encontramos a cada esquina. Sendo o Evangelho apenas um; qual o motivo de tantas denominações?

Evangelizar deveria ser pregar a doutrina Bíblica. Mas na verdade, não é isso que acontece. E quando acontece, privilegia-se alguns aspectos em detrimento de outros, como tentativa de justificar pontos de vista. Faz-se uma leitura seletiva do texto Bíblico, trazendo a tona só aquilo que interessa a determinada religião.

Como conseqüência disso, estimula-se uma leitura “enciclopédica”, buscando aqui e ali o que for mais conveniente.

Todos estes fatos geram o quadro atual de multiplicação de entidades religiosas. Pessoas passando de uma para outro em trocas sucessivas, sem saber definir o melhor caminho a seguir.

Alguns dizem que “todos os caminhos levam a Deus”. Defendem que não importa a escolha desta ou daquela denominação, desde que se esteja a procura de Deus.

Ora, não se encontra ovos de galinha e ninho de coelhos! Estes sequer põem ovos.

Para achar o que se procura é preciso que se procure no lugar certo. E o primeiro e melhor caminho pode estar dentro de nós.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Amor é tudo, menos isso!


No ano passado, a mídia deu grande destaque ao casamento e desenlace trágico da união entre a atriz Suzana Vieira e o ex-PM Marcelo Silva.

Na ocasião, o romance foi comparado a um conto de fadas, onde uma celebridade se casava com um “príncipe” de olhos verdes. Ambos se diziam apaixonados, mas a grande diferença de idade entre eles seria apenas mais um elemento no rumo dos acontecimentos trágicos da vida do casal.

Todos tiveram conhecimento do final dessa história: Traição, Drogas, acusações, e finalmente a morte por overdose de Marcelo Silva num quarto de Motel, com uma de suas amantes.

Passado tudo isso, a atriz Suzana Vieira vem novamente a público; desta vez em entrevista à revista “Veja” para contar a sua versão dos fatos.

Diz ela: “Marcelo me filmou tomando banho e pretendia cobrar R$ 500 mil para não tornar o vídeo público. Ele se escondeu atrás da porta do banheiro para me filmar tomando banho de touca na cabeça. Fazia close das minhas partes íntimas. Ia me chantagear para me dar a gravação”.

Segue seu depoimento afirmando que Marcelo lhe roubou jóias, perfumes, microondas e superfaturou os gastos da obra na casa da atriz. Mesmo assim confessa seu amor e reconhece o amor do ex-companheiro.

No final da entrevista a atriz revela:

“Deus me livre de trauma, filhinha. Quero esquecer que conheci Marcelo Silva. A partir do momento em que, infelizmente, morreu, estou livre”.

Como escrevi no post anterior: Marcas de um Amor, há hoje em dia, uma tendência de distorção e confusão do significado do que seja Amor.
Uma grade parcela dessa responsabilidade recai sobre os meios de comunicação. Pessoas que têm a responsabilidade de informar e formar opinião.

Casos como o descrito acima, não pode, nem deve ser confundido com Amor, pois sequer aranha o seu verdadeiro significado. Nem nos dicionários está descrito desta forma:

“Amor – sm – 1. Sentimento que pressupõe alguém desejar o bem de outrem. 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser ao outro...”
(Dicionário da língua portuguesa. Aurélio Buarque de Holanda).

Quem Ama não se compraz da morte do outro, nem sente qualquer tipo de alívio nisso: (“A partir do momento em que, infelizmente, morreu, estou livre”).

Triste ver que, em alguns casos, até mesmo nos dicionários pode haver mais verdade de sentimentos do que nos corações das pessoas...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Marcas de um Amor


Neste primeiro dia do ano de 2009, gostaria de escrever sobre o tema que mais gosto: Amor.




Recentemente, li um artigo da psicanalista Regina Navarro Lins, cronista do jornal “O Dia”, autora do “Best Seller” “A Cama na Varanda”; no qual ela defendia basicamente dois argumentos: que era possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, da mesma forma e com a mesma intensidade. Considerava também plenamente normal uma relação sexual entre amigos (homem e mulher}, apenas pelo prazer.

Toda essa argumentação fez-me lembrar um caso real acontecido no Sul do Brasil com um jovem casal, que relato a seguir:

... Era uma adolescente de dezessete anos de idade; cheias de sonhos e planos para o futuro. Naquele momento, seu maior objetivo era concluir os estudos, que lhe assegurasse uma vida profissional estável.

... Foi no pátio da escolha que o viu pela primeira vez, e ali mesmo teve a certeza de que seria pra sempre.
Apenas se olharam insistentemente sem dizer nenhuma palavra, até que se perderam de vista.
Nos dias seguintes procuravam um pelo outro entre as centenas de alunos; até finalmente se encontrarem novamente e conseguirem coragem pra conversar.

Em pouco tempo estavam namorando, e foi algo tão forte que desejavam o conhecimento dos seus pais.
A princípio foram contra por conta da pouca idade de ambos. Imaginaram que seria apenas mais um namoro, e que tudo não passaria de alguns meses, com acontece normalmente com os adolescentes nesta idade. Mas não foi assim que aconteceu!

A vista de todos, na escola, como em casa, o sentimento de um pelo outro parecia cada dia maior. Era impossível ver um, sem que o outro estivesse presente. Dividiam todos os minutos dos seus dias.

Seis meses de namoro e chegaram à conclusão de que não dava mais pra viver sem o outro. Decidiram pedir permissão dos pais para o noivado e casamento; a ser marcado o mais rápido possível.

Claro que os pais dos adolescentes foram contra a princípio. Entendiam que eram muito jovens ainda, e que deveriam terminar os estudos, dar início à vida profissional pra depois então pensarem no casamento.

Fizeram o possível pra persuadir os dois a desistirem da idéia, mas nada adiantou. Estavam firmemente decididos a não viverem mais separados.

Pra não verem os filhos tomarem a atitude de sair de casa, apoiaram. Dariam toda ajuda que pudessem, até que conseguissem terminar os estudos e ter condições de se manterem por conta própria. Ficaram noivos, com data do casamento marcado.

Um acidente de carro aconteceu, e parecia que iria mudar tudo isso:

Ele sobreviveu, mas teve o rosto completamente e irremediavelmente desfigurado pelas chamas. O diagnóstico médico foi o pior possível: Não havia cirurgia plástica que fosse capaz de lhe refazer os traços do rosto. Teria que usar uma máscara para o resto de sua vida.

Foi um duro golpe numa adolescente de apenas dezessete anos. O maior de sua vida.
Quando se viram pela primeira vez depois do acidente, foram difíceis as palavras. Por entre a máscara que ele usava, só era possível reconher os olhos. Eram os mesmos de sempre. Naqueles olhos estava o Amor de sua vida.
Aos poucos, ele tentou convencê-la de que seria melhor terminar o noivado. Não queria que ela ficasse presa a ele por nenhum outro sentimento que não fosse Amor.

Mais uma vez aquele Amor surpreendeu a todos, e se mantiveram juntos com o firme propósito de se casarem, tão logo fosse possível.

Poucos meses depois, ele ainda com a máscara sobre o rosto, se casaram. Um ano depois tiveram gêmeos; um menino e uma menina. Estão juntos até hoje, com planos de encherem a casa e suas vidas de filhos.

Aquelas chamas haviam lhe desfigurado o rosto, mas sequer arranhou o Amor que ambos sentiam...

Depois desse relato, me fiz a seguinte pergunta: Essa jovem amaria um outro rapaz ao mesmo tempo, da mesma forma e com a mesma intensidade?

O que ela sente pelo agora marido pode ser confundido com “amor” desses por um dia?

Vejo com tristeza as jovens que transam com os rapazes depois de um baile, sem sequer lhes perguntar o nome.
A liberalização desenfreiada do sexo traz como conseqüência imediata à banalização, e a perda da referência do significado do que seja Amor. A rotatividade é tão grande que não há chances, nem tempo pra nenhum sentimento mais profundo.

Muitos acreditam, que a completa liberalização do sexo seja uma tendência irreversível e universal. Prefiro acreditar que não! Prefiro imaginar que a senhora do artigo do jornal “O Dia”, jamais viveu, ou desconhece o verdadeiro significado do que seja Amor.