domingo, 19 de janeiro de 2014

Motivo


Aconteceu quando tudo ao redor parecia pequeno,
Quando nada mais existia que não tivesse vencido;
Das caminhadas aos mais altos cumes,
E quedas nos mais profundos dos precipícios.


Vi muitas luas chegarem,
Tantas outras se encontrarem,
Lado a lado com o sol,
Na plena luz do dia.


Conheci a fúria das catástrofes,
A relutância dos indomáveis;
Penetrei na mais densa e impenetrável das florestas,
Apenas para sentir o perfume de uma única rosa,
Onde jamais qualquer outro se atrevesse ter chegado.


Sonhei sonhos inimagináveis,
Alguns inconfessáveis,
Outros tão surpreendentes,
Que tornaria realizável, a mais absurda das profecias.


Tirei de onde nada havia,
E pus quando supunham que não pudesse;
Mesmo assim era apenas um insignificante fracasso.


Um motivo,
Simples que fosse,
Mas que não se submetesse aos extremos da força,
Que não curvasse os joelhos,
Ao ímpeto mais intenso,
Ou ao mais sedutor dos desafios;
Que fosse tão sereno,
Quanto os mais serenos,
Dos recantos dos rios.


Foi ai que a encontrei,
Única, discreta, bem ali ao meu lado.


Troquei a visão colorida do horizonte por sua paz de espírito,
Pelo tom de voz brando, suave e macio,
Por seus lábios indefiníveis,
Seus olhos cativos,
Só então Ela disse:
_ “Meu nome é Seny; seu único motivo!”



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Brincando com as Palavras

Já está disponível o meu novo livro, só de pensamentos "Brincando com as Palavras. São 394 pensamentos, divididos em 84 páginas, com o mesmo número de ilustrações.

Na verdade, jamais havia imaginado escrever um livro só de pensamentos, até descobrir ser o assunto preferido dos visitantes, da minha página pessoal na web; o dobro da segunda mais acessada. O nosso objetivo é fazer refletir, sonhar, sorrir; somar ao adulto que somos à criança que nunca devemos deixar de ser. 

Dedico este livro às pessoas que foram dele inspiração, algumas das quais guardo carinho enorme, apesar da ausência.




 A versão web está publicada no Clube dos Autores e pode ser adquirida por qualquer pessoa, via correios. Uma nova versão será impressa por editora do Rio de Janeiro e também estará disponível em breve. Visite o link abaixo e faça o seu pedido:
https://clubedeautores.com.br/book/157742--Brincando_com_as_Palavras#.Us8ZONJdUew
 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Juntando Pedrinhas


Havia acordado bem cedo naquela manhã, mais do que o de costume. Toda cidade parecia ainda adormecida e entorpecida, pela ressaca daquela quarta-feira de cinzas de carnaval. Abri a janela e na pracinha, alguns metros adiante; um menino abaixado, parecia envolvido em alguma tarefa, com zelo e muita atenção.

Quando me aproximei por mera curiosidade, sequer pareceu notar a minha presença. Havia um buraco de formigas, que entravam e saiam, parecendo confabularem entre si, no meio do caminho. Ao redor, ia se formando algo parecido com um morro, onde subiam e colocavam as pedrinhas que traziam, de dentro do buraco.

Algumas pedrinhas rolavam pra longe da base, e o menino as trazia de volta, com um pequeno pedaço de madeira, que segurava em uma das mãos. A visão que eu tinha de cima assemelhava-se a um minúsculo vulcão, tendo o menino como seu único e pequeno protetor.

- “Elas constroem o muro em volta, para proteção do caminho que fizeram por baixo da terra”. Explicou o menino.

Seria pouco provável que algo permanecesse ali, depois de uma chuva, que inevitavelmente rolaria morro abaixo da encosta, onde a pracinha fora construída. Ou que sobrevivesse no caminho de algum frequentador menos atento, ou ainda que alguém, por puro descaso chutasse tudo aquilo e espalhasse por todos os lados; ponderei com o jovem guardião das formigas.

_ “Se chutar, não vai ser eu”. Disse o menino.

Sentei no banco, logo ao lado e fiquei um longo tempo observando, como se me faltasse as palavras. Viajei até o passado, lembrei-me dos tempos da adolescência, quando todos os jovens bebiam e fumavam, apenas para acompanhar o modismo, e eu me recusava a fazer o mesmo, pra não ser submetido a nada, que escapasse a minha decisão.
Perguntei a mim mesmo se naquele momento da minha vida eu não estava juntando as minhas pedrinhas.

Talvez ali, bem na minha frente, naquele pequeno gesto, o menino estivesse também construindo, com as mesmas pedrinhas que reunia as bases do seu futuro, como ser humano de caráter e homem de valor.
Havia nele uma cor transparente, que me permitia enxergar o seu modo diferente de ser.


Senti vontade de perguntar pra todo mundo. Senti vontade de perguntar pra você leitor: quantas pedrinhas na sua vida você já juntou?