Lembro de quando era criança me deparar com despachos nas encruzilhadas. Era sempre uma visão que me assustava bastante. Potes de barro, fitas pretas e vermelhas, velas, farofa, cachaça, e uma infinidade de outros aparatos.
Esse tempo passou, e achei que tudo isso era coisa do passado.
Hoje, abrindo o jornal “Extra” da Editora “Globo”; vejo a mesma cena novamente.
Na coluna “Esoterismo” do referido jornal, o pai de santo Walter D’oxaguiã dá a seguinte receita para afastar feitiços:
“Para afastar feitiços e perseguição.
Na porta de sua casa ou no portão, ponha os nomes dos inimigos escritos numa folha de comigo-ninguém-pode.
Cubra com terra de formigueiro, terra de estrada, enxofre, pó de folhas urtiga e torre no forno.
Soque para fazer o pó e faça uma cruz com pólvora em cima de tudo, com cuidado ponha fogo.
Peça a Exu que toda feitiçaria, maldição e praga sejam afastadas do seu caminho e de sua casa.
Despache a folha numa encruzilhada de defume com incenso de igreja, alfazema, benjoim, estora que é erva doce. Realize esse trabalho vestindo roupas brancas, de preferência”.
O direito de expressão é garantido a todos pela nossa constituição. O que me espanta é o fato de uma editora com a reputação da “Globo” colocar tal coisa como matéria de jornal.
Sábado, 2 de Maio de 2009
Sábado, 18 de Abril de 2009
Na Dificuldade, Sobrevivem os Fortes.
Esta semana recebi um vídeo do amigo e professor Clovis Campelo da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro. Trata das pessoas, que apesar das dificuldades, encontram forças pra continuar lutando pela vida.
Ao abri o jornal “Extra” de hoje, li um texto do escritor Paulo Coelho, sobre o mesmo assunto, e achei que deveria postar os dois aqui:
“Sobre a morte”
Paulo Coelho
“Em meados de 1970, quando estava prestes a completar seu doutorado em física, o cientista Stephen Hawking, já então portador de uma doença que ia paralisando seus movimentos, escutou um médico dizer que tinha apenas dois anos de vida.
“Não vou ficar desesperado com isso. Vou aproveitar o tempo que me resta para tentar entender o Universo, porque não vou mais precisar pensar em coisas como aposentadoria e contas a pagar”, resolveu.
Como a doença progredia rapidamente, foi obrigado a criar fórmulas simples para explicar, o que antes, tudo aquilo que passava pela sua cabeça.
Dois anos e meio se passaram, dez anos se passaram, 30 anos passaram. Stephen Hawking driblou a doença, continuou vivo e foi responsável por uma nova visão da física moderna.
No decorrer dos anos, descobriu que a doença, em vez de levá-lo à invalidez, forçou-o a descobrir uma nova maneira de raciocínio”.
Acredito que o vídeo do amigo Clóvis Campelo e o texto do escritor Paulo Coelho acima se completam.
Para algumas pessoas, pensar na morte parece ser a solução. Para outras, um motivo pra continuar lutando pela vida.
Ao abri o jornal “Extra” de hoje, li um texto do escritor Paulo Coelho, sobre o mesmo assunto, e achei que deveria postar os dois aqui:
“Sobre a morte”
Paulo Coelho
“Em meados de 1970, quando estava prestes a completar seu doutorado em física, o cientista Stephen Hawking, já então portador de uma doença que ia paralisando seus movimentos, escutou um médico dizer que tinha apenas dois anos de vida.
“Não vou ficar desesperado com isso. Vou aproveitar o tempo que me resta para tentar entender o Universo, porque não vou mais precisar pensar em coisas como aposentadoria e contas a pagar”, resolveu.
Como a doença progredia rapidamente, foi obrigado a criar fórmulas simples para explicar, o que antes, tudo aquilo que passava pela sua cabeça.
Dois anos e meio se passaram, dez anos se passaram, 30 anos passaram. Stephen Hawking driblou a doença, continuou vivo e foi responsável por uma nova visão da física moderna.
No decorrer dos anos, descobriu que a doença, em vez de levá-lo à invalidez, forçou-o a descobrir uma nova maneira de raciocínio”.
Acredito que o vídeo do amigo Clóvis Campelo e o texto do escritor Paulo Coelho acima se completam.
Para algumas pessoas, pensar na morte parece ser a solução. Para outras, um motivo pra continuar lutando pela vida.
Sábado, 11 de Abril de 2009
Um Gato Bilíngue

... Excepcional figura, “Toninho faz tudo”; era assim que todo mundo o costumava definir.
Não havia nada que não soubesse fazer. Como costumam dizer por ai; era “pau pra toda obra”.
A vizinhança sentia-se segura com “Toninho” por perto. A torneira enguiçou, o chuveiro queimou, um jeitinho no carro que não pega? Nada parecia ser problema sem solução para o nosso amigo de “mil e uma utilidades”.
Até ai tudo bem, só não esperava presenciar os acontecimentos daquele dia no centro da cidade:
Edifício Avenida Central no coração do Rio de Janeiro. Enquanto procurava uma peça para o meu computador, li um anúncio bem grande na porta de uma das lojas:
“Hoje, palestra sobre técnicas de marketing. Participe!”
Como tinha toda a manhã livre, decidi entrar e aprender um pouco mais.
Meu espanto foi grande, quando ninguém menos que o meu velho conhecido “faz tudo” entrou para palestrar. Todo “engravatado” e roupa alinhada. Nada parecido com o mesmo “Toninho”, que eu tinha visto outro dia engraxado, debaixo de um carro. Falou com tanta clareza e autoridade no assunto, que ao final todos aplaudiram de pé.
Não podia deixar de ir cumprimentá-lo e saber dele a explicação para aquele episódio surpreendente. E ele então me contou a seguinte estória:
- “Certa ocasião, um gato perseguia um rato. Vendo seu fim próximo, o rato tratou de se enfiar no primeiro buraco que encontrou, até que o gato desistisse e pudesse sair.
O gato continuava do lado de fora com seus miados, aguardando a sua presa. Minutos depois, em lugar dos miados, latidos, e o rato então achou que algum cachorro havia afugentado o gato. Considerou então que já podia sair em segurança.
Bastou colocar a cabeça pra fora do buraco e o gato o pegou. Vendo o desespero do rato o gato explicou: - “Quem mais de uma língua já sabia, não fica sem o prato do dia!”.
Assim era “Toninho faz tudo”: um cidadão de “muitas línguas”.
Segunda-feira, 9 de Março de 2009
Morangos de Todo Dia

Cresci ouvindo meu pai dizer que trabalhava duro pensando no dia da aposentadoria. Que quando chegasse esse dia, finalmente poderia descansar e ser mais feliz.
Sempre que me dizia isto, eu lembrava de uma história bem antiga:
Um homem, perseguido por um urso corria em disparada, até que chegou a beira de um abismo. Se ficasse, seria devorado pelo urso faminto.
Se pulasse, havia uma boa chance de conseguir se salvar.
Pulou!
Conseguiu se agarrar em alguns galhos na encosta do abismo e se pendurar. Contudo, não suportaria ficar assim muito tempo, pois já lhe faltavam as forças nos braços.
Olhou para baixo onde deveria cair, e havia uma onça com dentes afiados a sua espera.
Desviou então sua atenção para seu lado direito, onde viu um pequeno morango num pé que ali teimava em nascer.
Já havia comido muitos morangos na sua vida, mas aquele lhe pareceu especial, pois talvez fosse o seu último.
Voltando ao meu pai, creio que ele jamais percebeu como é importante ser feliz no presente, e não ficar adiando a felicidade. Pequenos detalhes, como aquele morango podem ter todo o sabor da diferença.
Ele sei foi aos 61 anos de idade, alguns meses antes de poder receber seu primeiro salário da aposentadoria.
Temos a mania de deixar pra sermos felizes depois do carro zero, da reforma da casa, da Tv digital; e acabamos por esquecer o dia de hoje.
Quanto ao personagem da nossa história?
Dizem que por puro milagre escapou, e conseguiu a sua segunda chance...
Sábado, 28 de Fevereiro de 2009
Uma Foto Amarelada na Parede

... Quando entrei naquela casa; uma velha foto amarelada na parede foi à primeira coisa que chamou minha atenção.
“Seu Geraldinho Relojoeiro” , como é conhecido na pequena cidade mineira de Carvalhos, logo notou a minha curiosidade, e apressou-se em contar-me a história daquela velha foto:
No dia 29 de setembro de 1894, exatamente há 115 anos passados, nascia no interior de Minas Gerais o menino Antonio Miguel.
Até os seus doze anos de idade, levou vida dura na lida com as coisas do campo.
Tinha pés descalços sobre aquele solo, mas sonhos na mente, que voavam alto em outras direções.
Dois meses frequentando a escola e já conseguia ler, escrever e contar. Considerou então, que era o suficiente pra sair de casa e conquistar o mundo.
“Aqui eu não fico!”, repetia ele sempre.
Trouxinha nas costas e pés na estrada caminhou a procura dos seus sonhos.
Durante seis longos anos, trabalhou em lugares diferentes, até finalmente se fixar na cidade mineira de Caxambu.
Seu esforço e coragem de trabalho foram logo reconhecidos, e em pouco tempo; aos 22 anos de idade, casava-se com a jovem Adília de 19 anos; sobrinha de um dos homens mais poderosos e respeitados da região.
Anos mais tarde, tornava-se dono do Hotel – Cassino Bragança; um marco histórico naquela cidade.
Naqueles anos, o jogo era uma atividade econômica como outra qualquer, que trazia os turistas e os sonhos das pessoas pelo ganho mágico e riqueza fácil da noite para o dia.
Antonio Miguel e Dona Adília tiveram nove filhos. Os negócios iam bem, a ponto de inaugurarem uma filial do hotel, com o mesmo nome, na capital do Rio de Janeiro.
Linhas de ônibus, propriedades na capital paulista somaram-se ao império, que então se construía.
Com o passar dos anos; o mesmo jogo, que fora alicerce daquela fortuna; tornou-se desmanche da mesma.
Dividas se acumulavam, até que só restou a sede do hotel Bragança em Caxambu.
Antonio Miguel morreu em 1965, aos 71 anos de idade; deixando nas mãos do filho caçula a tarefa de reerguer e dar continuidade às atividades do histórico hotel Bragança.
“Seu Antonio” ("Toninho"), filho caçula de Antonio Miguel, hoje com 78 anos de idade, teve 14 filhos, e estes tantos outros. Seguiam-se as gerações com seus sucessos e fracassos, alegrias e tristezas, amores e desilusões; como acontece todo dia na vida de cada um de nós.
Como fez com aquela velha foto, aos poucos o tempo apaga os rastros das pegadas que deixamos no passado.
Gerações se sucedem, criando novas pegadas sobre aquelas que um dia foram nossas.
Sopram os ventos das novas gerações, e a não ser por um raro fato histórico, acabamos todos nivelados na linha do horizonte do esquecimento.
Deixando as considerações religiosas à parte; tudo isso parece conduzir para um quadro desolador. Questionar se vale a pena tantas lutas e sacrifícios.
Cada um tem sua resposta. Cada resposta aponta para um caminho.
O mais certo é que daqui a duas, ou três gerações estejamos todos esquecidos. A não ser por algum improvável estudo genealógico, que acaso alguém se interesse por fazer.
Nascemos da mesma forma, com “adereços” diferentes. Morremos igualmente com os mesmos “adereços”, ou não.
Importa o que somos e fazemos em nosso, mesmo curto, espaço presente de tempo.
Há pessoas que duram 100 anos e vivem como se nunca tivessem nascido.
Do que vale, mesmo a mais linda das rosas, que floresce no caminho, se por ali ninguém passa pra sentir o seu perfume, e fazer brilhar os olhos das pessoas por sua beleza?
Toda beleza e perfume só têm função se percebidas; assim como só se escreve um livro para que um dia possa ser lido.
Pouco teria servido a existência da rosa, se pouco tempo depois cai ao chão de volta ao solo que antes foi.
Seu maior sentido existe enquanto rosa, como nós enquanto vida.
Se “exalamos o nosso perfume”, e colocamos brilho nos olhos alheios, cumprimos bem a nossa parte.
Pode parecer pequena, mas torna-se grande, quando somada a tantas outras.
O tempo não para!
Quem deixou de fazer pra ficar se lastimando pela vida; perdeu a chance de somar e existir.
Talvez, numa outra geração alguém conte a nossa história, como se fossemos parte de um livro; tornando possível saltar de uma página, ou uma foto amarelada na parede e de alguma forma retomar a vida...
Carvalhos, 23 de fevereiro de 2009; segunda - feira de carnaval.
Sábado, 14 de Fevereiro de 2009
Caminhos da Felicidade
Sábado, 31 de Janeiro de 2009
Atendimento ao Consumidor
A Partir de 31 de Julho de 2008 entrou em vigor o decreto lei nº 6.523 que regulamenta os direitos básicos do consumidor de obter informação adequada e clara sobre os serviços que contratar e de manter-se protegido contra práticas abusivas ou ilegais impostas no fornecimento desses serviços.
Apesar da lei em vigor, a qualidade pouco mudou. A lei prevê que o cliente/usuário deve falar com um atendente do Sac no prazo máximo de um minuto; o que parece estar sendo ignorado.
São casos como os da telefonia fixa e móvel, que alegam estar fazendo esforços pra se adequarem à lei e melhoria dos serviços.
A lei está em vigor, e teve prazo para adequação. Tudo que estiver em desacordo com ela, a infringe.
O consumidor tem então a opção de reclamar junto a Anatel, que teoricamente tem como função fiscalizar as empresas de telefonia fixa e móvel. Contudo, parece inócuo os seus serviços. Registra-se um protocolo, e pode-se reabrir indefinidamente, sem que chegue ao conhecimento do usuário nenhuma medida punitiva.
Assim, a Anatel presta-se ao papel de "menino de recados" das partes reclamadas; apenas repassando aos reclamantes as justificativas descabidas das empresas envolvidas.
Em tempos de crise, a Anatel é um desperdício aos cofres públicos. Foi criada como o objetivo de fiscalizar e fazer cumprir a lei. Não faz nem uma coisa, nem outra, e acabamos sendo vítimas duplamente.
Apesar da lei em vigor, a qualidade pouco mudou. A lei prevê que o cliente/usuário deve falar com um atendente do Sac no prazo máximo de um minuto; o que parece estar sendo ignorado.
São casos como os da telefonia fixa e móvel, que alegam estar fazendo esforços pra se adequarem à lei e melhoria dos serviços.
A lei está em vigor, e teve prazo para adequação. Tudo que estiver em desacordo com ela, a infringe.
O consumidor tem então a opção de reclamar junto a Anatel, que teoricamente tem como função fiscalizar as empresas de telefonia fixa e móvel. Contudo, parece inócuo os seus serviços. Registra-se um protocolo, e pode-se reabrir indefinidamente, sem que chegue ao conhecimento do usuário nenhuma medida punitiva.
Assim, a Anatel presta-se ao papel de "menino de recados" das partes reclamadas; apenas repassando aos reclamantes as justificativas descabidas das empresas envolvidas.
Em tempos de crise, a Anatel é um desperdício aos cofres públicos. Foi criada como o objetivo de fiscalizar e fazer cumprir a lei. Não faz nem uma coisa, nem outra, e acabamos sendo vítimas duplamente.
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