domingo, 28 de março de 2010

Reencontro


Quando acordei,
Ela já não estava mais ao meu lado.
Procurei por toda parte,
Por todos os cantos da casa,
Corri pelas ruas desesperado.

Caminhei horas seguidas,
Indagava a um e a outro por ela,
Por aquela que sempre foi a minha musa;
A mulher da minha vida.

Ninguém a havia visto passar,
Sentei em um canto qualquer da estrada,
Baixei a cabeça,
E comecei a chorar.

O que teria acontecido?
Na mesma noite anterior,
Trocamos carinhos,
Ouvi dela as coisas mais lindas,
Palavras inesquecíveis de amor.

Muitas coisas passavam pela minha cabeça,
Já não conseguia mais caminhar,
Tive vontade de gritar,
De tirar a própria vida.

Finalmente percebí,
Que ela havia definitivamente partido,
Por motivos que eu sequer conseguia entender;
Voltei para casa,
Joguei-me sobre a cama,
Até novamente adormecer.

Foi um sono profundo,
Quase como se tivesse morrido;
Muitas horas depois,
Ainda arrasado pelos fatos,
Retornei aos sentidos.

Ao meu lado,
A cama continuava vazia,
Mas tinha, dentro do peito,
Reencontrado a minha poesia.

Ali mesmo, comecei a escrever,
Coloquei no papel o passado, o presente,
E todos os fatos que ainda não conseguia entender.

Bem próximo de mim,
Num bilhete deixado, na gaveta ainda aberta,
Ela explicava seu motivo:
"Deixo o amor, pra sobreviver o poeta".

domingo, 11 de outubro de 2009

Reinventar o Amor


Quero você menina,
Como ondas que se dobram sobre a areia.

Quero você nas encostas sobre as pedras,
No meio dia de uma avenida,
Ou em qualquer tempo de uma rua deserta.

Quero você num intenso banho de chuva;
Pra poder tocar, suavemente, cada centímetro das suas curvas.

Quero seu corpo descendo no espaço,
Em sentido reto,
E direto pros meus braços.

Quero a sua fúria,
A sede dos desertos,
O horizonte de um oásis,
No seu corpo descoberto.

Quero também a visão suave dos seus dedos,
Nesse seu jeito que só você sabe tocar.

Quero a certeza de poder te esperar;
Enquanto espero, escrevo;
Tentando descrever você em minhas linhas,
Aquela que já nasceu a mais linda das poesias.

Quero você das formas que já até imaginou,
Quero tudo isso e muito mais:
Quero ser capaz de com você reinventar o Amor...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Futebol Pra Meninas


Domingo, fim de tarde,
Vai começar a partida;
As meninas se posicionam em campo,
Exuberantemente lindas.

A loira de olhos azuis,
Alinha a esquerda na faixa que divide o gramado,
Enquanto que a ponta direita ocupa o espaço vazio,
Pelo outro lado.

No meio do campo, a morena,
A camisa 10;
Brinca com a bola,
E com graça e beleza,
Coloca sob seus pés.

Finalmente, apita o juiz;
- “Nossa, quantas gatas!”
Um torcedor mais afoito, diz.

Com um só toque de primeira,
Numa jogada perfeita,
No primeiro minuto do jogo,
Deixa cara a cara com o gol
A ponta direita.

Hesita, ajeita os cabelos,
Levanta a meia até a altura dos joelhos;
Prende a bola, não solta;
Vem a adversária e faz a falta.

Rola no chão com sensualidade,
Cai sobre a bola com tanto encanto,
Que toda torcida desejou ser bola dentro de campo.

Vem à camisa 10,
De forma decidida.
_ “Deixa essa comigo mulata, que sou boa na batida!”.

Tomou distância da bola,
Correu em sua direção,
Feito passes mágicos de dança,
Numa linda canção.

Viajou pelo espaço,
Em trajetória incerta,
Voa a “goleira”,
E com a ponta dos dedos,
Desvia da reta.

Linha de fundo,
Determina o juiz,
A loira da esquerda corre pro canto,
“- É minha vez, ela diz!”

A bola é lançada pro alto,
Desce na direção da atleta,
Sobe a camisa 10,
E suas pernas reluzentes
Ousam um vôo livre em bicicleta...
É gooooooooooool.

A torcida comemorou com tudo que tinha,
Não deixou nada pra depois,
Aquele gol que foi único,
De quem única sempre foi.


Logo que escureceu,
O Juiz decidiu terminar a partida,
Tinham todas que voltar lá para o céu,
Pra brilhar com as estrelas,
E iluminar as nossas vidas...

* Há poesia em tudo, mas nem tudo que é poético está nos olhos de todos...

domingo, 2 de agosto de 2009

Pequenos Gestos

... Um menino, no se caminho pra escola de todos os dias, notou que na beira da estrada, em meio a muitas outras roseiras havia uma que parecia não florescer. Deu a si mesmo a tarefa de jogar um pouco de água naquele pé, toda vez que por ali passasse.

Fez isso a cada dia, meses seguidos, sem ver nenhum resultado. Num determinado dia, lá vinha ele de novo com seu pote de água nas mãos na alegria de realizar e sua tarefa, e já não foi mais possível...
A roseira sem rosa havia morrido, sem que jamais houvesse florido dela uma rosa sequer.

De início, ficou chateado o nosso menino. Mas entendeu que seu pequeno gesto fez toda diferença. A roseira não havia florido, mas nascera dentro dele uma alegria inexplicável de te sido capaz de se importar. As cores e perfume da rosa que não floriu estavavam agora dentro do seu peito...

sábado, 25 de julho de 2009

Diálogos Globalizados

Existe um antigo ditado bastante conhecido que diz: “tempo é dinheiro”.

É um bom argumento quando se trata de negócios, mas há de se ter cuidado na sua aplicação na nossa vida pessoal; na lida com os amigos.
Nunca entendi, por exemplo, como existem pessoas que conseguem falar com várias outras, ao mesmo tempo sobre assuntos diversos.

Estou me referindo aos diálogos simultâneos que ocorrem, via MSN, ou em outras ferramentas de comunicação semelhantes aqui na net.

Imagine que você saia de casa e encontre velhos amigos num mesmo lugar e hora. Sendo eles estranhos um ao outro, certamente, o mais adequado seria apresentá-los para um bate papo em comum; onde o assunto seria, obrigatoriamente, o mesmo entre todos.

Agora imagine a mesma situação nos diálogos virtuais. Muitos conseguem a proeza de falar com várias pessoas, ao mesmo tempo no MSN, ou em mecanismos de "Chat" semelhantes; mesmo tratando de assuntos diversos e os mais variados.

Enquanto um amigo fala da sua alegria por um fato qualquer, o outro desabafa a sua tristeza. O resultado não poderia ser outro: acaba-se passando pelo constrangimento da troca de conversas. Dizendo a um o que seria direcionado a outra pessoal.

Esse tipo de “atenção global”, na verdade e completamente impessoal. Eu diria mais: é um desrespeito com cada pessoa envolvida nos diálogos. É uma atenção percentual, limitada, desrespeitosa, quando se trata de verdadeiros amigos.

Já encontrei pessoas eufóricas por serem capazes de digitar com oito outras ao mesmo tempo. Digitar, talvez, conversar, jamais.
Um diálogo de verdade, pressupõe atenção completa. E nada mais desrespeitoso do que dividir atenção, ainda mais sobre assuntos diferentes.

Quando se conversa com várias pessoas ao mesmo tempo, na verdade, não se dá à atenção devida a nenhuma delas. Se não fazemos isso no nosso dia a dia; não vejo porque fazer diferente nos diálogos ditos “virtuais”.

De fato, ninguém pode dar atenção integral, a quem quer que seja, 24 horas por dia; mas que seja integral na fração possível que puder...

sábado, 2 de maio de 2009

De volta a Idade Média

Lembro de quando era criança me deparar com despachos nas encruzilhadas. Era sempre uma visão que me assustava bastante. Potes de barro, fitas pretas e vermelhas, velas, farofa, cachaça, e uma infinidade de outros aparatos.

Esse tempo passou, e achei que tudo isso era coisa do passado.

Hoje, abrindo o jornal “Extra” da Editora “Globo”; vejo a mesma cena novamente.

Na coluna “Esoterismo” do referido jornal, o pai de santo Walter D’oxaguiã dá a seguinte receita para afastar feitiços:

“Para afastar feitiços e perseguição.

Na porta de sua casa ou no portão, ponha os nomes dos inimigos escritos numa folha de comigo-ninguém-pode.
Cubra com terra de formigueiro, terra de estrada, enxofre, pó de folhas urtiga e torre no forno.
Soque para fazer o pó e faça uma cruz com pólvora em cima de tudo, com cuidado ponha fogo.
Peça a Exu que toda feitiçaria, maldição e praga sejam afastadas do seu caminho e de sua casa.
Despache a folha numa encruzilhada de defume com incenso de igreja, alfazema, benjoim, estora que é erva doce. Realize esse trabalho vestindo roupas brancas, de preferência”.

O direito de expressão é garantido a todos pela nossa constituição. O que me espanta é o fato de uma editora com a reputação da “Globo” colocar tal coisa como matéria de jornal.

sábado, 18 de abril de 2009

Na Dificuldade, Sobrevivem os Fortes.

Esta semana recebi um vídeo do amigo e professor Clovis Campelo da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro. Trata das pessoas, que apesar das dificuldades, encontram forças pra continuar lutando pela vida.

Ao abri o jornal “Extra” de hoje, li um texto do escritor Paulo Coelho, sobre o mesmo assunto, e achei que deveria postar os dois aqui:

“Sobre a morte”
Paulo Coelho

“Em meados de 1970, quando estava prestes a completar seu doutorado em física, o cientista Stephen Hawking, já então portador de uma doença que ia paralisando seus movimentos, escutou um médico dizer que tinha apenas dois anos de vida.

“Não vou ficar desesperado com isso. Vou aproveitar o tempo que me resta para tentar entender o Universo, porque não vou mais precisar pensar em coisas como aposentadoria e contas a pagar”, resolveu.

Como a doença progredia rapidamente, foi obrigado a criar fórmulas simples para explicar, o que antes, tudo aquilo que passava pela sua cabeça.

Dois anos e meio se passaram, dez anos se passaram, 30 anos passaram. Stephen Hawking driblou a doença, continuou vivo e foi responsável por uma nova visão da física moderna.

No decorrer dos anos, descobriu que a doença, em vez de levá-lo à invalidez, forçou-o a descobrir uma nova maneira de raciocínio”.

Acredito que o vídeo do amigo Clóvis Campelo e o texto do escritor Paulo Coelho acima se completam.
Para algumas pessoas, pensar na morte parece ser a solução. Para outras, um motivo pra continuar lutando pela vida.