quarta-feira, 21 de abril de 2010

Questão de bom senso


Recentemente, vi algumas cenas do chamado "BBB". No momento que passei pela sala, havia um sujeito cheio de músculos, braços tatuados, dando socos na grama com fúria incontida. Seus golpes eram com tanta violència, que a grama era atirada para o alto. Depois, fiquei sabendo que ele havia perdido um jogo, realizado entre outros concorrentes do programa. No final, ganhou a edição do "BBB 10", e teve finalmente sua ira aplacada.

Comentei este fato com meu grande amigo Ivan Silva, e ele contou-me que escrevera um texto sobre o baixo nível de tais programas. Decidi então fazer minhas as suas palavras, e publico na íntegra o referido texto a seguir.




"É impressionante como o ser humano do Terceiro Milênio ainda faz coisas que um mínimo de bom senso desaprovaria.

É claro que não se trata da maioria, mas de uma parcela de pessoas sem compromisso com o bom, com o útil e com o belo.

Estamos falando da nova moda que surgiu nos Estados Unidos e que algumas emissoras de televisão brasileiras resolveram importar.

Trata-se da exposição de um grupo de pessoas escolhidas para conviver juntas numa casa, por determinado tempo, onde são observadas pelos telespectadores, graças às câmeras que registram tudo, 24 horas por dia.

Que existem pessoas que se comprazem em expor a intimidade a terceiros, não há dúvida.

Também não há dúvida de que existem aqueles que gostam de bisbilhotar a vida alheia. São pessoas que sofrem de distúrbios psicológicos e como tal devem ser tratadas.

Mas daí a se expor diante das câmeras para a população de um país ou ficar diante da TV observando as momices de alguns desocupados, é falta de bom senso ou do que fazer.

Do ponto de vista das emissoras é de se pensar se não há nada de bom, de útil ou de instrutivo para se veicular nesses horários.

E da parte dos espectadores, é de se questionar se não têm mais nada a fazer que possa dar utilidade às suas horas.

Conviver mais com os filhos, caminhar ao ar livre, ler um bom livro, fazer uma visita a um amigo, a uma pessoa enferma, a uma instituição de caridade.

A grande responsável por esses programas de má qualidade é a demanda. É a audiência. É o cidadão que permite que esse lixo seja despejado em seu lar, em sua sala de televisão.

Isso nos parece muito lógico: se não houvesse o prestígio da população, não haveria interesse por parte das emissoras em veicular, já que divulgam o que o público pede.

Século XXI... e ainda se perde tempo com coisas tão inúteis e até prejudiciais...

Se os espectadores, que assistem esse tipo de programa, pudessem avaliar a importância do tempo que Deus lhes concede na presente existência, certamente não o desperdiçariam com tolices dessa natureza.

Dizemos que é prejudicial porque assistir televisão, sem critérios rígidos de seleção, pode entorpecer os sentidos, prejudicar a criatividade, a capacidade de conversar, de conviver.

Ademais, esse tipo de programação cria a ilusão de que se pode penetrar a intimidade daquelas pessoas enclausuradas, e a de que se pode preencher o vazio interior e superar as próprias frustrações, convivendo com um grupo de estranhos.

É uma grande ilusão, pois os próprios participantes dessas casas de clausura admitem que é impossível ser verdadeiros diante das câmeras.

Dessa forma, uns fazem de conta que expõem a intimidade, e outros fazem de conta que acreditam...

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Pense nisso e não ligue a televisão apenas porque ela está lá. Ligue-a somente quando houver algum programa que você realmente queira ver, que lhe acrescente algo de bom, de belo, de útil, de instrutivo.

Aqueles que participam desse faz-de-conta têm o interesse financeiro, pois há um prêmio em jogo...

As emissoras querem faturar, numa eterna guerra pela primeira posição nas pesquisas...

E você, telespectador?

Se todas as pessoas usassem o bom senso antes de acionar o controle remoto da TV, selecionando as boas programações, as emissoras não colocariam no ar programas de má qualidade, inúteis ou prejudiciais.

Assim como o voto é uma arma poderosa nas mãos do eleitor, o controle remoto é a única arma que poderá mudar essa triste realidade, e promover uma mudança na cultura das telinhas.

Pense nisso, e faça a sua parte!"


Ivan Silva.

domingo, 28 de março de 2010

Reencontro


Quando acordei,
Ela já não estava mais ao meu lado.
Procurei por toda parte,
Por todos os cantos da casa,
Corri pelas ruas desesperado.

Caminhei horas seguidas,
Indagava a um e a outro por ela,
Por aquela que sempre foi a minha musa;
A mulher da minha vida.

Ninguém a havia visto passar,
Sentei em um canto qualquer da estrada,
Baixei a cabeça,
E comecei a chorar.

O que teria acontecido?
Na mesma noite anterior,
Trocamos carinhos,
Ouvi dela as coisas mais lindas,
Palavras inesquecíveis de amor.

Muitas coisas passavam pela minha cabeça,
Já não conseguia mais caminhar,
Tive vontade de gritar,
De tirar a própria vida.

Finalmente percebí,
Que ela havia definitivamente partido,
Por motivos que eu sequer conseguia entender;
Voltei para casa,
Joguei-me sobre a cama,
Até novamente adormecer.

Foi um sono profundo,
Quase como se tivesse morrido;
Muitas horas depois,
Ainda arrasado pelos fatos,
Retornei aos sentidos.

Ao meu lado,
A cama continuava vazia,
Mas tinha, dentro do peito,
Reencontrado a minha poesia.

Ali mesmo, comecei a escrever,
Coloquei no papel o passado, o presente,
E todos os fatos que ainda não conseguia entender.

Bem próximo de mim,
Num bilhete deixado, na gaveta ainda aberta,
Ela explicava seu motivo:
"Deixo o amor, pra sobreviver o poeta".

domingo, 11 de outubro de 2009

Reinventar o Amor


Quero você menina,
Como ondas que se dobram sobre a areia.

Quero você nas encostas sobre as pedras,
No meio dia de uma avenida,
Ou em qualquer tempo de uma rua deserta.

Quero você num intenso banho de chuva;
Pra poder tocar, suavemente, cada centímetro das suas curvas.

Quero seu corpo descendo no espaço,
Em sentido reto,
E direto pros meus braços.

Quero a sua fúria,
A sede dos desertos,
O horizonte de um oásis,
No seu corpo descoberto.

Quero também a visão suave dos seus dedos,
Nesse seu jeito que só você sabe tocar.

Quero a certeza de poder te esperar;
Enquanto espero, escrevo;
Tentando descrever você em minhas linhas,
Aquela que já nasceu a mais linda das poesias.

Quero você das formas que já até imaginou,
Quero tudo isso e muito mais:
Quero ser capaz de com você reinventar o Amor...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Futebol Pra Meninas


Domingo, fim de tarde,
Vai começar a partida;
As meninas se posicionam em campo,
Exuberantemente lindas.

A loira de olhos azuis,
Alinha a esquerda na faixa que divide o gramado,
Enquanto que a ponta direita ocupa o espaço vazio,
Pelo outro lado.

No meio do campo, a morena,
A camisa 10;
Brinca com a bola,
E com graça e beleza,
Coloca sob seus pés.

Finalmente, apita o juiz;
- “Nossa, quantas gatas!”
Um torcedor mais afoito, diz.

Com um só toque de primeira,
Numa jogada perfeita,
No primeiro minuto do jogo,
Deixa cara a cara com o gol
A ponta direita.

Hesita, ajeita os cabelos,
Levanta a meia até a altura dos joelhos;
Prende a bola, não solta;
Vem a adversária e faz a falta.

Rola no chão com sensualidade,
Cai sobre a bola com tanto encanto,
Que toda torcida desejou ser bola dentro de campo.

Vem à camisa 10,
De forma decidida.
_ “Deixa essa comigo mulata, que sou boa na batida!”.

Tomou distância da bola,
Correu em sua direção,
Feito passes mágicos de dança,
Numa linda canção.

Viajou pelo espaço,
Em trajetória incerta,
Voa a “goleira”,
E com a ponta dos dedos,
Desvia da reta.

Linha de fundo,
Determina o juiz,
A loira da esquerda corre pro canto,
“- É minha vez, ela diz!”

A bola é lançada pro alto,
Desce na direção da atleta,
Sobe a camisa 10,
E suas pernas reluzentes
Ousam um vôo livre em bicicleta...
É gooooooooooool.

A torcida comemorou com tudo que tinha,
Não deixou nada pra depois,
Aquele gol que foi único,
De quem única sempre foi.


Logo que escureceu,
O Juiz decidiu terminar a partida,
Tinham todas que voltar lá para o céu,
Pra brilhar com as estrelas,
E iluminar as nossas vidas...

* Há poesia em tudo, mas nem tudo que é poético está nos olhos de todos...

domingo, 2 de agosto de 2009

Pequenos Gestos

... Um menino, no se caminho pra escola de todos os dias, notou que na beira da estrada, em meio a muitas outras roseiras havia uma que parecia não florescer. Deu a si mesmo a tarefa de jogar um pouco de água naquele pé, toda vez que por ali passasse.

Fez isso a cada dia, meses seguidos, sem ver nenhum resultado. Num determinado dia, lá vinha ele de novo com seu pote de água nas mãos na alegria de realizar e sua tarefa, e já não foi mais possível...
A roseira sem rosa havia morrido, sem que jamais houvesse florido dela uma rosa sequer.

De início, ficou chateado o nosso menino. Mas entendeu que seu pequeno gesto fez toda diferença. A roseira não havia florido, mas nascera dentro dele uma alegria inexplicável de te sido capaz de se importar. As cores e perfume da rosa que não floriu estavavam agora dentro do seu peito...

sábado, 25 de julho de 2009

Diálogos Globalizados

Existe um antigo ditado bastante conhecido que diz: “tempo é dinheiro”.

É um bom argumento quando se trata de negócios, mas há de se ter cuidado na sua aplicação na nossa vida pessoal; na lida com os amigos.
Nunca entendi, por exemplo, como existem pessoas que conseguem falar com várias outras, ao mesmo tempo sobre assuntos diversos.

Estou me referindo aos diálogos simultâneos que ocorrem, via MSN, ou em outras ferramentas de comunicação semelhantes aqui na net.

Imagine que você saia de casa e encontre velhos amigos num mesmo lugar e hora. Sendo eles estranhos um ao outro, certamente, o mais adequado seria apresentá-los para um bate papo em comum; onde o assunto seria, obrigatoriamente, o mesmo entre todos.

Agora imagine a mesma situação nos diálogos virtuais. Muitos conseguem a proeza de falar com várias pessoas, ao mesmo tempo no MSN, ou em mecanismos de "Chat" semelhantes; mesmo tratando de assuntos diversos e os mais variados.

Enquanto um amigo fala da sua alegria por um fato qualquer, o outro desabafa a sua tristeza. O resultado não poderia ser outro: acaba-se passando pelo constrangimento da troca de conversas. Dizendo a um o que seria direcionado a outra pessoal.

Esse tipo de “atenção global”, na verdade e completamente impessoal. Eu diria mais: é um desrespeito com cada pessoa envolvida nos diálogos. É uma atenção percentual, limitada, desrespeitosa, quando se trata de verdadeiros amigos.

Já encontrei pessoas eufóricas por serem capazes de digitar com oito outras ao mesmo tempo. Digitar, talvez, conversar, jamais.
Um diálogo de verdade, pressupõe atenção completa. E nada mais desrespeitoso do que dividir atenção, ainda mais sobre assuntos diferentes.

Quando se conversa com várias pessoas ao mesmo tempo, na verdade, não se dá à atenção devida a nenhuma delas. Se não fazemos isso no nosso dia a dia; não vejo porque fazer diferente nos diálogos ditos “virtuais”.

De fato, ninguém pode dar atenção integral, a quem quer que seja, 24 horas por dia; mas que seja integral na fração possível que puder...

sábado, 2 de maio de 2009

De volta a Idade Média

Lembro de quando era criança me deparar com despachos nas encruzilhadas. Era sempre uma visão que me assustava bastante. Potes de barro, fitas pretas e vermelhas, velas, farofa, cachaça, e uma infinidade de outros aparatos.

Esse tempo passou, e achei que tudo isso era coisa do passado.

Hoje, abrindo o jornal “Extra” da Editora “Globo”; vejo a mesma cena novamente.

Na coluna “Esoterismo” do referido jornal, o pai de santo Walter D’oxaguiã dá a seguinte receita para afastar feitiços:

“Para afastar feitiços e perseguição.

Na porta de sua casa ou no portão, ponha os nomes dos inimigos escritos numa folha de comigo-ninguém-pode.
Cubra com terra de formigueiro, terra de estrada, enxofre, pó de folhas urtiga e torre no forno.
Soque para fazer o pó e faça uma cruz com pólvora em cima de tudo, com cuidado ponha fogo.
Peça a Exu que toda feitiçaria, maldição e praga sejam afastadas do seu caminho e de sua casa.
Despache a folha numa encruzilhada de defume com incenso de igreja, alfazema, benjoim, estora que é erva doce. Realize esse trabalho vestindo roupas brancas, de preferência”.

O direito de expressão é garantido a todos pela nossa constituição. O que me espanta é o fato de uma editora com a reputação da “Globo” colocar tal coisa como matéria de jornal.