sábado, 4 de setembro de 2010

Todinho


Todinho era uma criança especial. Especial em todos os sentidos. Sempre muito calado, cabeça baixa e de pouca conversa, mas parecia ter o carinho de todos. Quando ele chegava com sua bermuda na altura dos joelhos, a garotada logo se apressava para escolher os jogadores de cada time.
Valmir sempre decidia tudo, e não era pra menos, como craque da rua e do bairro. Suas pernas tortas desorientavam os marcadores, que ficavam sem saber em qual direção ele ia partir com a bola.

O certo era que, time que Valmir jogava, Todinho ficava do outro lado. Diziam os garotos que se não se podia ter quem fizesse os gols, ao menos teriam quem os evitasse.
Com a bola nos pés Todinho não sabia o que fazer. Até que tentou, mas nunca consegui grande coisa. Era uma presa fácil para os jogadores dos outros times. Mas quando o colocaram no gol, como última opção; virou a pedra no sapato de Valmir, e seus dias de artilheiro pareciam ter chegado ao fim.
Todinho simplesmente segurava tudo com uma facilidade que impressionava a todos.

Certa vez perguntei aos outros meninos a razão do seu apelido. Diziam que era devido a sua semelhança física com um menino da propaganda do achocolatado de marca bem conhecida, naquela ocasião.

Como Todinho não ligou; o apelido pegou.

Tinha lá pelos seus 12 anos de idade e nunca lhe vi acompanhado de nenhum outro amigo, o que seria normal nos garotos nesta idade. Estava sempre sozinho, e talvez tivesse escolhido agarrar no gol pra não ter mesmo que falar com mais ninguém.

O fato é que aquele menino voava como um pássaro. Valmir já tinha virado motivo de chacotas e piadas no grupo por não conseguir marcar gols nas traves de Todinho.

Um dia, Valmir decidiu que isso iria mudar. Quando entrou em campo naquele dia, estava sério e parecia ter uma idéia fixa na cabeça. Olhava pra Todinho de lado, como se lhe enviasse algum recado.

Não deu outra!

Mal começou o jogo, Valmir pegou a bola e saiu driblando todo mundo. Com suas pernas tortas ninguém sabia pra que lado marcar. Se fossem pra esquerda, Valmir saia pela direita, e se ficassem, era bola pelo meio das pernas na certa. Não tinha quem lhe fizesse parar. Ele corria com toques sobre a bola que ia rolando a sua frente, como se fosse cúmplice dele. Até que finalmente ficou cara a cara com o gol defendido por Todinho.

Parou ali na certeza da facilidade e do êxito do seu chute. Eram apenas quatro metros e não tinha como errar. Todinho estava lá parado no centro do gol impassível sem mexer um só dedo sequer, mas seus olhos...

Nunca tinha visto coisa igual. Os olhos verdes de Todinho estavam fixados nos olhos de Valmir, como se esperasse sair dali a direção que a bola finalmente tomaria.

Valmir deu um sorriso debochado, ameaçou chutar num canto, deu uma paradinha no meio do caminho e chutou no outro. Quando a bola partiu, Todinho, do outro lado partiu na mesma direção da bola. Tinha endereço certo no canto esquerdo da trave, e tudo indicava que Todinho chegaria atrasado sem que nada pudesse fazer.

Como um pássaro em vôo diagonal livre; Todinho foi ao encontro da bola. Pernas estiradas, braços esticados, dedos apontados firmemente na direção do canto. Foram segundos que duraram uma eternidade.

Quando ele caiu ao chão, fez-se um enorme silêncio. Valmir já comemorava com os braços levantados pra torcida, mas Todinho rolou várias vezes sobre o próprio corpo e por pura mágica levantou do outro lado com a bola entre seus braços, batendo a poeira do seu corpo.

Jamais esqueci aquele momento. Pegaram ele no colo, jogaram para o alto. Era agora o mascote e o preferido da torcida.

Valmir também me impressionou. Pensei que fosse ficar irado e saísse sem nada dizer. Em vez disso, caminhou na direção de Todinho, o cumprimentou e lhe deu um forte abraço. Daquele dia em diante só jogava se tivesse do seu lado as mãos mágicas daquele menino.

Um dia senti a sua falta nas nossas brincadeiras do futebol e procurei saber o que tinha acontecido. “Ta descansando”, diziam todos. Achei que havia algo mais do que isso, pois ele nunca mais aparecia.

Até que sua mãe, vendo a minha aflição, contou-me o acontecido:

Havia sérias suspeita de que Todinho estava com “Paralisia Infantil”. Caso isso fosse confirmado, jamais tornaria aquele gramado, ou qualquer outro, e provavelmente jamais fosse visto caminhando pelas ruas novamente.

Chorei muito naquele dia, como nunca tinha feito antes. Eu adorava aquele moleque e não podia acreditar que isso estivesse acontecendo com ele.

Uma manhã o vi saindo para o médico amparado por seus pais. Volta e meia dobrava os joelhos, como se lhe faltasse firmeza pra ficar de pé e caminhar. E isso se repetia todos os dias.

Depois de muito insistir, sua mãe me permitiu ir junto com Todinho nas consultas aos especialistas. Quase todos acreditavam tratar-se mesmo de “Paralisia Infantil”, que ia a cada dia lhe tirando o controle e a mobilidade do corpo. Doença sem cura, até então.

Os pais de Todinho deixaram suas vidas de lado para cuidar só do menino. Todo dinheiro era usado na tentativa de salvar-lhe a vida. Algumas vezes ficavam o dia inteiro só com o café da manhã pra não gastar o dinheiro da passagem de volta.

Vendo o entra e sai do menino no hospital todos os dias, um velho médico procurou saber do que se travava, e começou a acompanhar o caso.
Dr. Fabiano Lima e Silva era o mais respeitado médico daquele hospital e tomou Todinho como um desafio seu.

Em umas das consultas posicionou Todinho do lado oposto da mesa, pegou sua caneta de formatura bem ali ao lado e o desafiou a pegá-la:

_ “se conseguir pegar é sua”, disse o velho doutor.

Lembrei na hora da vez em que Todinho agarrou aquela bola de Valmir. Pensei: “Ele vai conseguir; precisa!”

Como daquela vez, Todinho olhou fixo nos olhos do doutor, que havia acabado de desafiá-lo. Com muito esforço, de lhe tirar gemidos sussurrados, conduziu a mão em direção a caneta, mas ela parecia se revoltar e não querer seguir adiante. Franziu a testa, como se fosse pular novamente em vôo livre, como fazia nas partidas de futebol, e num esforço maior a caneta estava lá entre os dedos de uma das suas mãos.

Foi uma alegria geral. Abraços, apertos de mãos. Desta vez, choramos todos juntos, abraçados ao doutor. "Seu filho vai se curar”, antecipou o médico entre risos de alegria.

Enfim, não era a doença imaginada a princípio, e sim uma outra de nome “Coréia”, rara, com as mesmas características, mas não tão grave, até então desconhecida pela maioria dos médicos.

Passados alguns meses, me emocionei ao vê-lo de volta aos campos de futebol, mas agora seu maior troféu era aquela caneta. Sempre que hesitava em fazer alguma coisa era para ela que voltava os olhos, e de alguma forma, tirava de lá a força necessária para vencer todos os seus desafios.

Nunca mais me separei dele, nem ele de mim, e a caneta o seguiu por toda parte; na arte da escrita de um poeta, moldado na experiência da sua própria vida.

Hoje, quando o vejo com olhar perdido, fixo em algum ponto qualquer, tenho certeza de que está tentando antecipar a direção dos seus sonhos.


Carlos Lucchesi, 04/09/2010.

sábado, 21 de agosto de 2010

Meu Quarto 3X4


Como todas as noites, eu estava ali no quarto, caminhando de um lado para o outro, sem nem mesmo saber o porquê. Engraçado como a gente faz isso sem perceber, quando os pensamentos viajam para lugares distantes no tempo e no espaço. Era um quarto 3x4, e não tinha muito aonde ir. Andava em círculos, melhor dizendo; em "quadrados”, e por puro hábito de fazer, não batia com a cabeça na parede no fim de cada reta.

Havia uma velha cama bem ali ao lado, e dizem os especialistas que é onde passamos a maior parte das nossas vidas.

Entrava pela porta no mesmo horário de todos os dias. O relógio na cabeceira da cama não me deixava enganar. 20h00min em ponto eu chegava, e só tinha tempo mesmo de ligar a TV pra assistir o telejornal na tela de 14 polegadas.

Na parede lateral uma grande janela 220 x 150, de onde eu via o nascer e o fim de cada dia.
E a minha vida estava assim certinha, toda encaixotada sob medidas.

A porta nunca foi uma saída. Quando o relógio despertava, já quase em cima da hora, eu me apressava no banho pra sair e trabalhar. O portão era o mesmo de sempre. Forçava com o pé direito a base e empurrava pra fora. Com a mão esquerda puxava pra dentro, enquanto que a direita virava a chave. Pronto! Abria. Pra fechar era só dar um empurrãozinho e ele batia barulhento bem atrás de mim. Estava atrasado e não tinha mesmo tempo para esperar.

A vizinha em frente estava sempre lá lavando a calçada, como fazia todos as manhãs. “Que vida chata tinha a minha vizinha”. Pensei; enquanto ela pensava o mesmo de mim.

O ponto do ônibus era como uma família reunida. De longe eu já conhecia as pessoas pelas roupas que usavam. Sandra e Vilma falavam dos novos amigos virtuais da noite anterior. Seu Antônio e dona Esmeralda comentavam das lindas netinhas. Tinha até aquele conquistador barato, de óculos escuros, que olhava pras meninas como se fossem um sorvete de morango.
Eu pouco falava, e nunca estiquei qualquer assunto. Eram sempre os mesmos e sempre cortados, quando finalmente o ônibus se aproximava.

Tinha enfim chegado ao trabalho. “Bom dia, como vai?”. E isso se repetia até o final do corredor. E não importava muito, porque ninguém nunca respondia. Como se a resposta fosse desnecessária. Vez em quando, murmuravam algumas coisas, que eu mal conseguia entender.
Ligava o PC e a tecnologia automática abria a página do trabalho do dia anterior. Era só continuar de onde eu havia parado.

Parada mesmo estava a minha vida!

Toda noite era sempre a mesma rotina de volta para aquele quarto 3x4.

Queria a insegurança, o desconhecido; sem portão com manias, sem as mesmas vizinhas lavando as calçadas, ou os mesmo assuntos do ponto de ônibus. Queria fazer diferente; dizer: “prazer em conhecer!”.
Já estava cansado de não correr riscos. Mas como mudar? Tantos anos naquele quarto me fez acreditar que era o único lugar que existia.

Deitei naquela noite tentando descobrir uma outra porta para abrir.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Questão de bom senso


Recentemente, vi algumas cenas do chamado "BBB". No momento que passei pela sala, havia um sujeito cheio de músculos, braços tatuados, dando socos na grama com fúria incontida. Seus golpes eram com tanta violència, que a grama era atirada para o alto. Depois, fiquei sabendo que ele havia perdido um jogo, realizado entre outros concorrentes do programa. No final, ganhou a edição do "BBB 10", e teve finalmente sua ira aplacada.

Comentei este fato com meu grande amigo Ivan Silva, e ele contou-me que escrevera um texto sobre o baixo nível de tais programas. Decidi então fazer minhas as suas palavras, e publico na íntegra o referido texto a seguir.




"É impressionante como o ser humano do Terceiro Milênio ainda faz coisas que um mínimo de bom senso desaprovaria.

É claro que não se trata da maioria, mas de uma parcela de pessoas sem compromisso com o bom, com o útil e com o belo.

Estamos falando da nova moda que surgiu nos Estados Unidos e que algumas emissoras de televisão brasileiras resolveram importar.

Trata-se da exposição de um grupo de pessoas escolhidas para conviver juntas numa casa, por determinado tempo, onde são observadas pelos telespectadores, graças às câmeras que registram tudo, 24 horas por dia.

Que existem pessoas que se comprazem em expor a intimidade a terceiros, não há dúvida.

Também não há dúvida de que existem aqueles que gostam de bisbilhotar a vida alheia. São pessoas que sofrem de distúrbios psicológicos e como tal devem ser tratadas.

Mas daí a se expor diante das câmeras para a população de um país ou ficar diante da TV observando as momices de alguns desocupados, é falta de bom senso ou do que fazer.

Do ponto de vista das emissoras é de se pensar se não há nada de bom, de útil ou de instrutivo para se veicular nesses horários.

E da parte dos espectadores, é de se questionar se não têm mais nada a fazer que possa dar utilidade às suas horas.

Conviver mais com os filhos, caminhar ao ar livre, ler um bom livro, fazer uma visita a um amigo, a uma pessoa enferma, a uma instituição de caridade.

A grande responsável por esses programas de má qualidade é a demanda. É a audiência. É o cidadão que permite que esse lixo seja despejado em seu lar, em sua sala de televisão.

Isso nos parece muito lógico: se não houvesse o prestígio da população, não haveria interesse por parte das emissoras em veicular, já que divulgam o que o público pede.

Século XXI... e ainda se perde tempo com coisas tão inúteis e até prejudiciais...

Se os espectadores, que assistem esse tipo de programa, pudessem avaliar a importância do tempo que Deus lhes concede na presente existência, certamente não o desperdiçariam com tolices dessa natureza.

Dizemos que é prejudicial porque assistir televisão, sem critérios rígidos de seleção, pode entorpecer os sentidos, prejudicar a criatividade, a capacidade de conversar, de conviver.

Ademais, esse tipo de programação cria a ilusão de que se pode penetrar a intimidade daquelas pessoas enclausuradas, e a de que se pode preencher o vazio interior e superar as próprias frustrações, convivendo com um grupo de estranhos.

É uma grande ilusão, pois os próprios participantes dessas casas de clausura admitem que é impossível ser verdadeiros diante das câmeras.

Dessa forma, uns fazem de conta que expõem a intimidade, e outros fazem de conta que acreditam...

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Pense nisso e não ligue a televisão apenas porque ela está lá. Ligue-a somente quando houver algum programa que você realmente queira ver, que lhe acrescente algo de bom, de belo, de útil, de instrutivo.

Aqueles que participam desse faz-de-conta têm o interesse financeiro, pois há um prêmio em jogo...

As emissoras querem faturar, numa eterna guerra pela primeira posição nas pesquisas...

E você, telespectador?

Se todas as pessoas usassem o bom senso antes de acionar o controle remoto da TV, selecionando as boas programações, as emissoras não colocariam no ar programas de má qualidade, inúteis ou prejudiciais.

Assim como o voto é uma arma poderosa nas mãos do eleitor, o controle remoto é a única arma que poderá mudar essa triste realidade, e promover uma mudança na cultura das telinhas.

Pense nisso, e faça a sua parte!"


Ivan Silva.

domingo, 28 de março de 2010

Reencontro


Quando acordei,
Ela já não estava mais ao meu lado.
Procurei por toda parte,
Por todos os cantos da casa,
Corri pelas ruas desesperado.

Caminhei horas seguidas,
Indagava a um e a outro por ela,
Por aquela que sempre foi a minha musa;
A mulher da minha vida.

Ninguém a havia visto passar,
Sentei em um canto qualquer da estrada,
Baixei a cabeça,
E comecei a chorar.

O que teria acontecido?
Na mesma noite anterior,
Trocamos carinhos,
Ouvi dela as coisas mais lindas,
Palavras inesquecíveis de amor.

Muitas coisas passavam pela minha cabeça,
Já não conseguia mais caminhar,
Tive vontade de gritar,
De tirar a própria vida.

Finalmente percebí,
Que ela havia definitivamente partido,
Por motivos que eu sequer conseguia entender;
Voltei para casa,
Joguei-me sobre a cama,
Até novamente adormecer.

Foi um sono profundo,
Quase como se tivesse morrido;
Muitas horas depois,
Ainda arrasado pelos fatos,
Retornei aos sentidos.

Ao meu lado,
A cama continuava vazia,
Mas tinha, dentro do peito,
Reencontrado a minha poesia.

Ali mesmo, comecei a escrever,
Coloquei no papel o passado, o presente,
E todos os fatos que ainda não conseguia entender.

Bem próximo de mim,
Num bilhete deixado, na gaveta ainda aberta,
Ela explicava seu motivo:
"Deixo o amor, pra sobreviver o poeta".

domingo, 11 de outubro de 2009

Reinventar o Amor


Quero você menina,
Como ondas que se dobram sobre a areia.

Quero você nas encostas sobre as pedras,
No meio dia de uma avenida,
Ou em qualquer tempo de uma rua deserta.

Quero você num intenso banho de chuva;
Pra poder tocar, suavemente, cada centímetro das suas curvas.

Quero seu corpo descendo no espaço,
Em sentido reto,
E direto pros meus braços.

Quero a sua fúria,
A sede dos desertos,
O horizonte de um oásis,
No seu corpo descoberto.

Quero também a visão suave dos seus dedos,
Nesse seu jeito que só você sabe tocar.

Quero a certeza de poder te esperar;
Enquanto espero, escrevo;
Tentando descrever você em minhas linhas,
Aquela que já nasceu a mais linda das poesias.

Quero você das formas que já até imaginou,
Quero tudo isso e muito mais:
Quero ser capaz de com você reinventar o Amor...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Futebol Pra Meninas


Domingo, fim de tarde,
Vai começar a partida;
As meninas se posicionam em campo,
Exuberantemente lindas.

A loira de olhos azuis,
Alinha a esquerda na faixa que divide o gramado,
Enquanto que a ponta direita ocupa o espaço vazio,
Pelo outro lado.

No meio do campo, a morena,
A camisa 10;
Brinca com a bola,
E com graça e beleza,
Coloca sob seus pés.

Finalmente, apita o juiz;
- “Nossa, quantas gatas!”
Um torcedor mais afoito, diz.

Com um só toque de primeira,
Numa jogada perfeita,
No primeiro minuto do jogo,
Deixa cara a cara com o gol
A ponta direita.

Hesita, ajeita os cabelos,
Levanta a meia até a altura dos joelhos;
Prende a bola, não solta;
Vem a adversária e faz a falta.

Rola no chão com sensualidade,
Cai sobre a bola com tanto encanto,
Que toda torcida desejou ser bola dentro de campo.

Vem à camisa 10,
De forma decidida.
_ “Deixa essa comigo mulata, que sou boa na batida!”.

Tomou distância da bola,
Correu em sua direção,
Feito passes mágicos de dança,
Numa linda canção.

Viajou pelo espaço,
Em trajetória incerta,
Voa a “goleira”,
E com a ponta dos dedos,
Desvia da reta.

Linha de fundo,
Determina o juiz,
A loira da esquerda corre pro canto,
“- É minha vez, ela diz!”

A bola é lançada pro alto,
Desce na direção da atleta,
Sobe a camisa 10,
E suas pernas reluzentes
Ousam um vôo livre em bicicleta...
É gooooooooooool.

A torcida comemorou com tudo que tinha,
Não deixou nada pra depois,
Aquele gol que foi único,
De quem única sempre foi.


Logo que escureceu,
O Juiz decidiu terminar a partida,
Tinham todas que voltar lá para o céu,
Pra brilhar com as estrelas,
E iluminar as nossas vidas...

* Há poesia em tudo, mas nem tudo que é poético está nos olhos de todos...